Você realmente votaria em Bernie Sanders?

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Longe de fazer ilações ou julgamentos sobre o pré-candidato democrata Bernie Sanders, tudo o que li e vi sobre ele não deixa fechar a conta. Ou seja, aposta no marketing rápido e palatável, no discurso de consumo instantâneo, porque a fórmula das eleições não permite muito tempo para que propostas sejam discutidas até o limite de se mostrarem viáveis ou não. O tempo e o modelo lhes é favorável porque em campanha falar não é provar, é convencer.

Fica o bem dito e marketizado pelo não dito ou mal-explicado.

Mesmo assim, a conta não fecha. A mesma conta, guardadas as devidas proporções e origens, da de Lula quando era candidato. Não fechava, mas o discurso da redenção e da salvação foram um bálsamo que convenceu os carentes, preguiçosos e arrogantes, a maioria dos brasileiros. Hoje, sabemos, a conta que não fechava se revelou um rombo de longo prazo. A vilania da preguiça da maioria fez todos de vítimas por estes trópicos.

Dizia isso à época e fui criticado. Deu no que deu, não pra minha felicidade em ter acertado, mas para a tragédia coletiva em que todos estamos no país. A promessa do bem-estar se revelou insustentável, sem contar a tragédia ética de apropriação privada do governo público que seu viu com o atual partido do poder e seus asseclas aliados.

Voltando aos EUA, o fato de o modelo americano não ter dado certo de um jeito, no anseio de justiça social coletiva, representado pelo eleitorado democrata muito jovem, o público de Sanders, não significa que o oposto radical, pregado pelo canditato, para delírio dos revolucionários de períodos eleitorais, se mostrará eficaz. A discussão socialismo x capitalismo, antiquada e estúpida, deveria ser trocada pela de bem-estar sustentável x bem-estar passageiro. Quem promete e conseguirá comandar um Estado sustentável em segurança, bem-estar social, relações externas e com visão de futuro num presente aceitável?

Enfim, feitas todas essas ressalvas, mesmo sem ser um admirador convicto de Hillary Clinton, perguntei ao amigo o que ele pensa desse Sanders?

A resposta veio com a acuracidade e a bravura dos que não se acomodam e já viram esse filme outras vezes:

“Piotto, na minha modesta opinião, Sanders é um factóide produto da ingenuidade burra de uma juventude movida a diagnósticos românticos e causas patrocinadas. Nada mais escapa da sanha dos marqueteiros. Quem melhor explica Sanders é o seu oposto mais-do-mesmo, Donald Trump.”

Se Trump é a explicação de Sanders, concluo explicando minimamente quem é Donald Trump, o homem que quer fazer um muro na beira do rio Grande que separa o México dos EUA, perseguir muçulmanos e latinos e fazer alguma outra grande besteira, coisas do tipo que só convencem os incautos ou os espertos que se fingem simpatizantes, mas ganham com isso.

Os outros, a maioria de nós, perde. De novo.

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