A pretensão de generalizar a opinião pública

Por Adalberto Piotto

Em recente reportagem, o correspondente do New York Times cita os escândalos de corrupção no país de forma genérica, sem dizer que, até o momento, é justamente o PT e seus partidos aliados os maiores envolvidos com as empreiteiras na corrupção que o Brasil repudia. Aliás, a tal indústria brasileira do cinema, incluindo a crítica, fontes inesgotáveis do articulista e preponderantes no artigo é, na sua maioria, de gente que apoia o PT. E por razões que vão de ideologia a reciprocidade de benefícios e privilégios dos governos petistas na base do toma-lá dá-cá.

Então, suas opiniões precisam de lupa e reservas. O bom e saudável ceticismo.
Os poucos que têm outras ideologias e não se prostituíram são pouco citados e não ganham a marca de oposição interna dentro da indústria cultural. São marginalizados porque se posicionam contrários a essa seita bolivariana e seus métodos, que domina o setor com petulância de discurso único e salvador.

Seita que se pretende popular, se autodenominando representante dos anseios setoriais e da população. Não é popular. Não representa os brasileiros e apenas fala por si. É privativa. Deles para eles, por eles. E só.

“Aquarius” e sua pretensão cinematográfica é um péssimo pano de fundo pra explicar o divisão do país. E nem me atenho às questões técnicas ou de roteiro do filme. Detenho-me apenas na nada altruísta tentativa de seus realizadores de partidarizarem as críticas com interesse nada republicano, longe do respeito à democracia e o debate verdadeiro.

O que acontece, algo ignorado convenientemente pelo correspondente americano, um deslumbrado e pouco informado, é que somos um país que rejeita todos os que corrompem o Brasil e suas instituições, sejam quem forem.

Os realizadores de “Aquarius” e seus apoiadores, ao contrário, querem cinicamente proteger os seus, coincidentemente os governos e seus líderes cujos membros estão na cadeia ou sendo acusados de corrupção, os maiores e mais próximos aliados das empreiteiras que o filme pretensamente denuncia.

O leitor no meio do Kansas e todos que não conhecem a verdade sobre o Brasil estão sendo mal informados pelo NYT.

Talvez não.

Afinal sequer o leiam ou o levem a sério.

E isso é realmente triste e uma perda para o jornalismo.

 

http://www.nytimes.com/2016/09/28/world/americas/brazilian-politics-smother-a-films-oscar-ambitions.html?mwrsm=Facebook&_r=0

Impeachment jabuticaba

Ontem, na decisão mancomunada com o que há de pior na política brasileira no momento (políticos e partidos costumam se superar), o presidente do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski rasgou o texto constitucional.

Ao “reler” uma artigo claro da Constituição, dando-lhe uma interpretação peculiar ao texto sobre o impeachment, que resultou no fatiamento da votação e punição pela metade, ele, Renan, o PT e parte do PMDB produziram para espanto da nação um impeachmet jabuticaba, uma dessas coisas que só existem aqui.

De resto, ao afrontar a Constituição, ofenderam os de bem que insistem com a cidadania e a democracia neste país.

Mudou o governo, sabia?

Por Adalberto Piotto

Falta parte da imprensa descobrir que mudou o governo, a que cobre o setor cultural, sobretudo.
Li várias reportagens perguntando apenas para artistas e produtores culturais ligados ao PT sobre as mudanças no comando da pasta da Cultura no governo Temer, iniciado na quinta, sexta.
Que respostas senão as excessivamente críticas e ideológicas esperam ouvir depois do Fla-Flu indigente que se tornou o debate brasileiro com a deletéria instituição do “Nós contra eles” do irresponsável ex-presidente Lula? E mesmo que colha opiniões enviesadas, como se nota, cadê o aprofundamento da entrevista tentando expor o opinante a algumas contradições? Há um declalatório publicado, não entrevistas.
Ao descrever nas reportagens essas opiniões sem grandes questionamentos ou contextualizações, como se representassem uma média geral do pensamento, prejudica-se o contraditório. Há muito mais diversidade de opinião acerca da cultura ou suas políticas públicas por aí do que as ligadas ao governo Lulopetista. Agenda desatualizada para novas fontes, falta de senso crítico nas redações culturais?
Além do que, esses artistas estão mais para destiladores de mágoas e partidarismos do que analistas de questões técnicas, sempre motivados pela razão partidária que parece movê-los. Como avançar no debate sob esse contaminado argumento?
Rótulos como “retrocesso” vertem em análises da profundidade de um pires e são inquestionavelmente publicadas e vendidas como definitivas acerca das políticas culturais do novo governo sem que estas ainda tenha de fato sido apresentadas. Hein?
Outro dia, os “servidores” do Minc (sabe-se lá o que isso quer dizer pra essa gente) vaiaram o novo ministro da Educação que abrangerá a Cultura no primeiro dia de trabalho dele quando foi apenas se apresentar aos funcionários. Como assim?
Deselegância, preconceito ou agressivo posicionamento político? Não importa, todas as opções são ruins e só escancaram ainda mais o aparelhamento que o Ministério da Cultura sofreu sob Lula e Dilma.
Como hábito, esses grupos privatizaram a coisa pública e se negam a discutir qualquer mudança porque perderam a hegemonia do poder que lhes garantia a canetada unilateral.
Não há discussão honesta ou aproveitável com quem prejulga ou apenas usa a crítica para fazer política partidária em vez de cultural. Quem parece politizado se revela apenas um cabo eleitoral. Servir o público? Jamais! Interesse público? Duvido. 
Há uma imensa parte da classe artística que discorda das políticas implementadas por Juca Ferreira, Gil, etc, e que deveria ser ouvida para ampliar o debate. O contraditório está nela, não na hegemônica e orquestrada opinião dos artistas que são preliminarmente contra o atual governo por outras razões que não a discussão necessária e verdadeira da cultura do Brasil.
Vamos realmente discutir a cultura ou nos deixar levar pelos interesses de quem, ao negar-se ao debate real, se denuncia apenas militante de partido, não da cultura?
Ministérios não são maiores que suas práticas, suas políticas. São meios, não os únicos.
 
 
Em tempo: se todo mundo de bom senso reconhece que a máquina pública brasileira é inchada e ineficiente – os números provam isso -, por que artistas “iluminados”, queridinhos da mídia culturete, e jornalistas deslumbrados, tentam transformar, a la Goebbels, a fusão do Minc com o MEC como se fosse um atentado doloso contra si mesmos?
Por que esse grau de rejeição sem tentar compreender as razões maiores da máquina do estado?
Por que corte bom é só na carne do outro? Seria isso?
Há uma hipocrisia e contradição enormes na discussão brasileira por parte desses descolados que se imaginam com cultura ou conhecimento acima dos outros. Há um egoísmo pessoal em detrimento de uma coleitva cultura patriótica de gente aparentemente incapaz de se entender apenas parte de um todo maior chamado Brasil, um país de muitas necessidades, algumas mais urgentes que outras.

 

Pra começo de conversa

Por Adalberto Piotto

Não tenho nenhuma vergonha do Brasil nem de ser brasileiro. Tenho, sim, desejo de extirpar os sem-vergonha que fazem mal ao meu país. E denunciar e fazer isso me dá enorme orgulho.

Aos fatos, então, acerca desse suposto revés do impeachment dada a enlouquecida, maldosa e ilegal decisão do deputado Waldir Maranhão, o presidente interino da Câmara.

Apesar de causar estrago na economia, com bolsa despencando e dólar disparando, além do enorme mal-estar na nação, não há no regimento da Câmara ou na lei brasileira aparato legal para sua decisão prosperar.

Pelo regimento da Câmara, a decisão monocrática do presidente interino acerca desse assunto é altamente questionável. O regimento questiona isso. Fosse possível, imagina o que Cunha teria feito? Não o fez porque há limites regimentais que o presidente interino Waldir Maranhão, ignorante ou mal-intencionado, inadvertidamente incorre no erro do abuso de poder e da mais cristalina ilegalidade.

O processo já está no Senado, sendo que toda a tramitação na Câmara foi respeitada e ritualizada pelo STF. Portanto, só o Senado pode agir a partir de agora ou o STF se for provocado. A retroatividade não se aplica ao caso, como é o entendimento do Supremo já conhecido.

Mais que isso, um recurso contra a ação de Maranhão ao próprio Supremo Tribunal Federal anularia a decisão tresloucada e muito bem engendrada pelo governo e seus aliados para causar caos no país e fornecer argumento para sua militância. Militância esta que, ou desperta pela realidade da legalidade ou por falta de finaciamento, está minguando.

O irritante deste processo é ver que o PT faz uso abusivo da Advocacia Geral da União para a defesa da presidente, não da instituição Presidência da República. Figuras que flertaram no seu passado com o republicanismo viraram moleques de recado do tipo pau-mandado e, pior, apenas interessados no poder a qualquer custo.

Esse ato descontínuo de legitimidade de Waldir Maranhão só faz o pior: causa confusão, perda de tempo e aumenta o descrédito na classe política, afastando os de bem do Congresso Nacional.

Que os de bem, mesmo uma vez mais atacados, mas com um processo de impeachment absolutamente legal ao lado, sob o rigor da lei e com diligente acompanhamento da sociedade e do STF, se unam para proteger o país de aventureiros e de partidos e pessoas delérios às instituições e à alma brasileira.

O país vai superar muito em breve esse ato de desespero de tentar violar a Constituiç