Não estou ofendido.

O advogado do ex-ministro Palocci, José Roberto Batochio, disse que lhe causou indignação o nome dado à operação da Polícia Federal que prendeu seu cliente, o ex-ministro de Lula e Dilma, Antonio Palocci, na manhã desta segunda-feira, 26. “Omertà”, proveniente do dialeto siciliano, um termo que designa a lei do silêncio. O escritor e jornalista Leonardo Sciacia, ele também um editorialista da Sicília, define a “Omertà” como a “solidariedade pelo medo”. Conta-me Walter Fanganiello Maierovitch, de longa experiência e conhecimento local, o termo é largamente empregado no cotidiano italiano e a mídia o emprega largamente.

Fato é que “Omertà” é mais uma daqueles termos da PF para nomear operações que atraem a atenção da mídia e do público nesse esforço imenso pelo qual passamos para desbaratar o mega esquema de corrupção que assombra o país.
Segundo o advogado, um dos figurões mais caros da advocacia brasileira, isso se deve, nas palavras dele “…Só porque ele (Palocci) tem um nome descendente de italiano, como eu tenho também (Batochio), além de ser absolutamente preconceituoso com os descendentes de italianos. Essa designação é perigosa” – finalizou no desabafo sem eco e sem conhecimento.

Aos fatos:
– Primeiramente, o nome da ação da Polícia Federal, “Omertá”, se deveu ao fato de que haveria um código de silêncio entre os diretores graduados da empreiteira Odebrecht para não revelarem os repasses milionários a partidos e políticos, numa corrupção estrondosa que pune o Brasil.
– Em segundo plano, qualquer comparação com organização criminosa nestes casos de perniciosa relação entre público e privado, autoridades e empreiteiros, em escândalos de desvio bilionário como o Petrolão, com ou sem um dos acusados com ou sem sobrenome de origem italiana, não é exagero retórico.
– Por fim, eu, como um brasileiro descendente de italianos e com isso expresso em meu sobrenome, não me senti nem um pouco ofendido com o fato. Aliás, não senti no meu sangue nenhuma relação.

A Máfia, doutor Batochio, não envergonha os italianos, indigna-os.

E lá, como cá, aplaudem o Estado quando ele a combate incansavelmente.

Mudanças, não. Avanços!

Por Adalberto Piotto

O Brasil está fértil. O solo deste país está pronto para fazer nascer uma nação. E baseio minha análise nos fatos. Todas essas sementes que foram injetadas no chão brasileiro, de pequenas cidades a imensas capitais com chuva de debates reais é algo novo, inovador no nosso cenário político.
O momento do Brasil está fértil para avanços reais, não apenas mudanças.
É o que procuramos há tempos, nós os incomodados.
Mas fato é que não me recordo de um tempo tão propício para avançarmos de vez e superarmos alguns de nossos próprios vícios.
Não é otimismo, não. É uma depuração de análise histórica. Vejamos:

– A crença em mitos e salvadores da pátria, por exemplo, caiu.
Os mitos se foram, assim como os populistas que se imagivavam enviados especiais da divindade para nos tirar do subdesenvolvimento.
E não existe mais ninguém de bom senso que acredite neles, seja porque nunca existiram ou porque são tiranos disfarçados. O único que restou no imaginário dos incautos chama tríplex de 215 metros em frente à praia de “Minha Casa, Minha Vida”, revelando-se jocoso e arrogante com um dos problemas mais graves do Brasil que é o acesso à moradia. Não bastasse isso tudo, ainda zomba das instituições ao se imaginar acima delas. Nunca esteve. Não está. Chamado a depor ou vai por bem ou por mal…coercitivamente pelo bem da democracia deste país.

– A crença que não existe atalho para a superação de problemas, tampouco terceirização da suas obrigações com seu país e a sociedade que almeja são sentimentos que estão cada vez mais fortes. Vimos isso ao ver muito mais gente nas manifestações de domingo.

– Embora ainda haja exageros pretensiosamente anarquistas de excomungar todos os políticos, como se não fossem brasileiros colocados lá por outros brasileiros, a maioria sabe que a democracia brasileira é de representação e, portanto, sempre haverá representantes nas casas do Parlamento.
O avanço neste caso é que parece estar mudando de forma vigorosa é a percepção de que a sua participação na democracia não acaba no dia da eleição e que votar é só uma pequena parte da sua obrigação com seu país.

– Não haverá uma simples troca de poder a partir de agora.
Os apupos a membros da oposição no protesto da avenida Paulista, como Alckmin e Aécio, embora infinitamente menores à ojeriza e desejo de deposição que os brasileiros nutrem por Lula, Dilma e o PT, tamanha a tragédia política e social que provocaram, dão mostras claras que não se quer apenas a troca de comando no país, quer-se um avanço institucional na admininstração pública e na relação com o cidadão. O convencimento passa por aí agora.

– Movimentos sociais, estudantis e de trabalhadores como UNE, MSTs e sindicatos, antes catalizadores dos anseios populares, não representam nada mais ao brasileiros que trabalham (salvo uma ou outra exceção que terá de provar diariamente seu caráter).
Instrumentalizados, manipulados ou com “donos” partidários, perderam a representatividade e a essência da luta social. Reduziram-se a condomínios ideológicos, massas de manobra ou nos bichos do George Orwell, mais despóticos do que aqueles aos quais criticavam.
Foram todos substituídos pelas instituições de Estado, porque realmente de todos, como a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça, sem pegágio ou intermediário para serem acessados. Já escrevi sobre isso. O divórcio litigioso que existia entre os cidadãos e as instituições, porque aprisionadas a governos, opressivas ou inalcançáveis à maioria, está acabando e se tornando numa nova e feliz união. Essas instituições deram o passo decisivo de olharem para a população e se aterem apenas aos preceitos constitucionais que as regem, servindo-as legalmente.

A consciência de tudo isso que está acontecendo por nossa intervenção no país – antes ausente, hoje presente – é que tem fertilizado o solo deste país.

E como tem chovido milhões de incomodados país afora é hora de fazer nascer o Brasil prometido.

Afinal, são os incomodados que movem o mundo e plantam o Brasil que queremos.

No caminho certo

Por Adalberto Piotto

Nós, os brasileiros, estamos fazendo as pazes com nossas instituições de Estado.

Isso é um avanço, afinal elas são nossas e são permanentes, diferentemente de governos – este último sequestrado por uma seita política e ideológica que traiu como nunca a esperança do voto.

É o que de principal se depreende da manifestação histórica deste domingo, dia 13, ao lado, claro, da decisão de dos brasileiros de exercer a democracia e assumir o direito e o dever de cuidar do país. Nas ruas do Brasil houve espontânea ovação à Justiça, com Sérgio Moro, ao Ministério Público da Lava Jato, com seus procuradores, e à Polícia Federal, de delegados e agentes.

São esses organismos, pertencentes ao Estado brasileiro, que lideram as investigações da corrupção endêmica e condenam os culpados, sejam eles quem forem.

E importante é que foram essas instituições, historicamente distantes da população ou com imagem meramente repressiva, que se moveram em direção ao brasileiros ao atender seus anseios de cidadania e justiça, atuando no estrito cumprimento de seus deveres constitucionais.

É o que temos visto.

Este país se unindo pra se tornar uma nação justa e com futuro.

É alentador.

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