Mudanças, não. Avanços!

O momento do Brasil está fértil para avanços reais, não apenas mudanças.
É o que procuramos há tempos, nós os incomodados.
Mas fato é que não me recordo de um tempo tão propício para avançarmos de vez e superarmos alguns de nossos próprios vícios.
Não é otimismo, não. É uma depuração de análise histórica. Vejamos:

Os mitos se foram, assim como os populistas que se imagivavam enviados especiais da divindade para nos tirar do subdesenvolvimento.
E não existe mais ninguém de bom senso que acredite neles, seja porque nunca existiram ou porque são tiranos disfarçados. O único que restou no imaginário dos incautos chama tríplex de 215 metros em frente à praia de “Minha Casa, Minha Vida”, revelando-se jocoso e arrogante com um dos problemas mais graves do Brasil que é o acesso à moradia. Não bastasse isso tudo, ainda zomba das instituições ao se imaginar acima delas. Nunca esteve. Não está. Chamado a depor ou vai por bem ou por mal…coercitivamente pelo bem da democracia deste país.

O avanço neste caso é que parece estar mudando de forma vigorosa é a percepção de que a sua participação na democracia não acaba no dia da eleição e que votar é só uma pequena parte da sua obrigação com seu país.

Os apupos a membros da oposição no protesto da avenida Paulista, como Alckmin e Aécio, embora infinitamente menores à ojeriza e desejo de deposição que os brasileiros nutrem por Lula, Dilma e o PT, tamanha a tragédia política e social que provocaram, dão mostras claras que não se quer apenas a troca de comando no país, quer-se um avanço institucional na admininstração pública e na relação com o cidadão. O convencimento passa por aí agora.

Instrumentalizados, manipulados ou com “donos” partidários, perderam a representatividade e a essência da luta social. Reduziram-se a condomínios ideológicos, massas de manobra ou nos bichos do George Orwell, mais despóticos do que aqueles aos quais criticavam.
Foram todos substituídos pelas instituições de Estado, porque realmente de todos, como a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça, sem pegágio ou intermediário para serem acessados. Já escrevi sobre isso. O divórcio litigioso que existia entre os cidadãos e as instituições, porque aprisionadas a governos, opressivas ou inalcançáveis à maioria, está acabando e se tornando numa nova e feliz união. Essas instituições deram o passo decisivo de olharem para a população e se aterem apenas aos preceitos constitucionais que as regem, servindo-as legalmente.

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No caminho certo

Nós, os brasileiros, estamos fazendo as pazes com nossas instituições de Estado.

Isso é um avanço, afinal elas são nossas e são permanentes, diferentemente de governos – este último sequestrado por uma seita política e ideológica que traiu como nunca a esperança do voto.

É o que de principal se depreende da manifestação histórica deste domingo, dia 13, ao lado, claro, da decisão de dos brasileiros de exercer a democracia e assumir o direito e o dever de cuidar do país. Nas ruas do Brasil houve espontânea ovação à Justiça, com Sérgio Moro, ao Ministério Público da Lava Jato, com seus procuradores, e à Polícia Federal, de delegados e agentes.

São esses organismos, pertencentes ao Estado brasileiro, que lideram as investigações da corrupção endêmica e condenam os culpados, sejam eles quem forem.

E importante é que foram essas instituições, historicamente distantes da população ou com imagem meramente repressiva, que se moveram em direção ao brasileiros ao atender seus anseios de cidadania e justiça, atuando no estrito cumprimento de seus deveres constitucionais.

É o que temos visto.

Este país se unindo pra se tornar uma nação justa e com futuro.

É alentador.

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Agora, dá pra propor?

Agora que houve o recuo da reorganização das escolas de São Paulo (cuja proposta em si eu julgo muito boa e que teve falha de comunicação evidente), dá pra “esses movimentos sociais” se tornarem operacionais e proporem tecnicamente soluções e pontos de vista agregadores para a discussão?
O convite-convocação se estende às universidades públicas estaduais, tão enfáticas em reclamar da proposta e pouco efetivas em apresentar soluções à sociedade, que as paga. E, sim, aos promotores do Ministério Público. Eles são parte fundamental no processo. A mediação e o bom senso na discussão se tornaram um desafio coletivo que não exclui ninguém.
E você, cidadão manifestante ou não, apoiador ou não das ocupações, se puder deixar de lado a rame-rame político-partidário do negócio e se embrenhar de verdade na discussão real da educação deste país será mais cidadão e menos massa de manobra.
A educação não pode esperar pelos melindres partidários de quem quer que seja, de que lado esteja.
Um incomodado operante é útil. Um manifestante itinerante, não.