A navegação de Marina

Mas há uma certa dubiedade na posição dela e de seu partido, a Rede Sustentabilidade, que promete inovar na política, em relação ao impeachment da presidente Dilma.

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Aos fatos.
Marina diz em entrevista ao Estadão, tal como fez um comunicado de seu partido mais cedo, desconsiderar o argumento do pedido de impeachment de Dilma,redigido pelos juristas Miguel Reale, Hélio Bicudo e Janaína Paschoal, só porque estaria “contaminado” com a suposta chantagem de Cunha e Dilma não faz sentido (ambos têm razões suficientes para se acusarem e nenhum, credibilidade). Ao fazer isso, com essa leitura da tal “contaminação”, parece desprezar a ação por causa da reação. Uma pergunta é inevitável. Onde está o desejo da causa, da luta, mesmo as inglórias, embora justas e grandiosas?
Não é lógico nem sensato o entendimento do partido, talvez conveniente, algo que não atribuiria a Marina, embora tudo fique misturado nestas horas.
Pra mim, não apoiar o pedido de impeachment do trio de juristas, sem contestá-lo tecnicamente, só porque Cunha o acolheu (aliás, a única forma constitucional de que acontecesse) é um erro de análise provocado pela mania da política brasileira que, em vez de curar a doença, exclui-a das estatísticas ou mata-se o paciente.
E isso não me parece inovação política, mesmo vindo de um partido novo que, parece, expõe mentalidade velha.
Cunha, por tudo o que pese contra ele – e são muitos fatos cada vez mais pesados -, ainda tem atribuições institucionais. Se ele fugisse delas, como vinha fazendo, é que se constituiria omissão maior. Tal como Dilma que, mesmo sob um descalabro ético, acusações de estelionato eleitoral e uma incompetência administrativa como nunca antes vista, ainda é a presidente e tem prerrogativas igualmente institucionais.
Não aceitar nada que Cunha coloque a mão, porque Cunha é Cunha, dá no mesmo que não aceitar nada que Dilma faça ou determine, só porque Dilma é Dilma. Mesmo sob o efeito da falta de credibilidade de ambos, algo que faz perder apoio da opinião pública, não tem poder de anular nada.
Aceitar portanto a tese perigosa de “contaminação” ou ausência de credibilidade, insisto no termo, nos levaria, no mínimo, a uma sensação de desobediência legal que provocaria um vácuo de poder institucional terrível, típico para desordem política.
É mais cidadão entender o processo constitucional do impeachment e levá-lo às etapas previstas na lei sob os valores da transparência e do comprometimento com o país. Ela, Marina, dá mostras disso quando, na mesma entrevista, defende apoio e cobrança a outro processo que pode cassar a presidente e o vice na Justiça Eleitoral.
O processo de impeachment, constitucional e tão regrado quanto, merece de todos o mesmo tratamento.