Pra inglês, americano, outros gringos e brasileiros verem

Se o fez com essa intenção, é assustador o parágrafo, no meio da extensa reportagem, que pode revelar um aparente (“ou não”, como diria o Lulista Caetano Veloso), desconhecimento da amplitude da operação, da nova fase da justiça brasileira e dos anseios nacionais contemporâneos de punir seja quem for, de querer se livrar do mal da corrupção e de avançar institucionalmente. E curioso é que vem justamente do maior jornal de uma sociedade, a norte-americana, que pune severamente o ato de mentir, independente do grau e da consequência da mentira.
É o jornalismo ou os valores sociais que estão se deturpando? Ou ambos?
Reproduzo abaixo o texto original e uma tradução livre desse trecho da reportagem:

– Lula, investigado em outro processo em Brasília, é, se o juiz Sérgio Moro acolher as novas denúncias dos promotores, apenas a bola da vez. Bola que parece ser de neve na tentativa imensurável de um país passar-se a limpo. Não é pouco e não vai parar por aí.

Não é justo, se essa foi a real intenção do NYT, relativizar a corrupção neste país, Não mais.

Abaixo, o link da reportagem na íntegra:

http://www.nytimes.com/2016/09/15/world/americas/brazil-lula-corruption-charges.html?hpw&rref=world&action=click&pgtype=Homepage&module=well-region&region=bottom-well&WT.nav=bottom-well

Pedir desculpas dói? Mas é preciso e justo.

Por Adalberto Piotto
Que senso ou órgão interno falta a Nancy Armour, do USA Today, pra reconhecer que errou ao se precipitar e julgar o caso com o preconceito dos esnobes? E pra se desculpar?
O arremedo de artigo pretensamente sociológico que ela escreve sobre o ato irresponsável dos nadadores norte-americanos no Rio de Janeiro, em que relata a violência na cidade, a violência policial, o estado de sítio das favelas e a ausência de investigação de muitos crimes, teria algum valor não fosse apenas pra encobrir sua incapacidade de dizer “eu errei, me desculpem”. Erros publicados em sua coluna anterior em que ela diminuía o ato da mentira e da falsa comunicação de crime pelos atletas.
Com todas as deficiências da segurança pública no Brasil, em especial no Rio, neste caso, conhecidas e reclamadas pelos brasileiros, a polícia carioca só acertou neste caso ao investigar a fundo a denúncia de “assalto à mão armada por falsos policiais”, uma mentira deslavada, como provado depois. 
Olhando apenas com olhos brasileiros, o caso nos prova que temos a fórmula pra fazer bem feito também “pra brasileiro ver”. Já escrevi sobre isso.
E uma coisa certa e outras mil erradas é muito melhor que mil e uma erradas. É um sinal de esperança até porque se está punindo com severidade a mentira e os mentirosos.
E punir mentira e desvios de conduta não é mais novidade neste país desde o Mensalão. A Lava Jato confirma a regra que se pretende fazer avançar por todos os cantos do país.
Os nadadores americanos, desmentidos pela polícia e pelos vídeos de vigilância, e desautorizados pelo próprio Comitê Olímpico Americano que, constrangido, se desculpou e já cogita puni-los, ofenderam os brasileiros e envergonham seu país.
Nancy Armour, blindada contra o bom senso, ainda acredita que é possível tapar o sol com a peneira.
Não no Rio 40 graus.
Não no Brasil tropical dos brasileiros que ela subestima.

De certo e de errado, a Natura foi natural e autêntica

Por Adalberto Piotto

É assim que a coisa dá certo e dá errado no Brasil. Vejam esse caso dos empresários, de gente da iniciativa privada, poderosa e influente, narrado no Estadão, no dia 17 de março de 2016, na coluna de Sonia Racy.

O caso positivo, primeiramente – elogiável, eu diria. Pedro Passos, da Natura, se expõe num ato de coragem pessoal e compromisso republicano ao emitir sua opinião sobre a “insistência no erro” na decisão da presidente de trazer Lula, um investigado da Lava Jato, para ser ministro-chefe da Casa Civil: “É um desrespeito ao desejo da sociedade”, além de indicar sua insatisfação explícita com a condução do governo: “Não queremos mais este governo, não queremos mais este partido e não queremos mais corrupção”, ao se referir aos protestos de domingo que ganharam ainda mais corpo ontem.

Pedro Passos poderia se omitir, como faz a maioria dos empresários. Mas preferiu neste caso o caminho da honestidade intelectual, deu sua opinião. Poderia até ser outra, é de diteito democrático. Mas ele deu sua opinião.

Não é necessário dizer que esconder-se num momento como esse e não dizer de que lado está é um misto de esperteza deletéria e desonestidade que este país não precisa mais.

Digo isso para introduzir os antônimos de Pedro Passos.

O lado negativo que se revela fortemente no mundo corporativo deste país: os outros, que pela minha experiência de mais de 25 anos como jornalista é a maioria, faz diferente.
Segundo a própria nota do Direto da Fonte de Sonia Racy revela: “Esta coluna teve outras conversas com integrantes da iniciativa privada. Que, apesar terem a mesma linha de pensamento de Passos, preferiram o anonimato”.

Creio que o nome pra anonimato na hora da coragem republicana é outro. Covardia.

Comportamento típico de gente que acha que o povo brasileiro são os outros. Eles ficam nas sombras esperando o jogo terminar pra tomar posição. Tipo comentarista de jogo encerrado.

Fato é que as escutas telefônicas estão revelando a verdadeira face de muita gente.

Melhor que o façam de própria vontade e à luz do dia sob o risco de colocarem suas biografias em lugar pouco nobre, assim como o bem cortado paletó ou saia que vestem.

No caminho certo

Por Adalberto Piotto

Nós, os brasileiros, estamos fazendo as pazes com nossas instituições de Estado.

Isso é um avanço, afinal elas são nossas e são permanentes, diferentemente de governos – este último sequestrado por uma seita política e ideológica que traiu como nunca a esperança do voto.

É o que de principal se depreende da manifestação histórica deste domingo, dia 13, ao lado, claro, da decisão de dos brasileiros de exercer a democracia e assumir o direito e o dever de cuidar do país. Nas ruas do Brasil houve espontânea ovação à Justiça, com Sérgio Moro, ao Ministério Público da Lava Jato, com seus procuradores, e à Polícia Federal, de delegados e agentes.

São esses organismos, pertencentes ao Estado brasileiro, que lideram as investigações da corrupção endêmica e condenam os culpados, sejam eles quem forem.

E importante é que foram essas instituições, historicamente distantes da população ou com imagem meramente repressiva, que se moveram em direção ao brasileiros ao atender seus anseios de cidadania e justiça, atuando no estrito cumprimento de seus deveres constitucionais.

É o que temos visto.

Este país se unindo pra se tornar uma nação justa e com futuro.

É alentador.

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