A honra em primeiro lugar

Quando vejo atletas brasileiros, que perderam ou erraram movimentos em suas provas ou lutas nos Jogos do Rio, dizendo sentir vergonha ou pedindo desculpas porque não avançaram, isso aumenta minha impressão que temos, sim, o ‘mea culpa’ como um sentimento integrante de nossa sociedade.

Poucos o praticam, é verdade, sobretudo políticos, ainda mais os que se acham enviados da divindade e, por isso, arrogantes, lobos que se apresentam cordeiros.

Mas volto ao caso dos atletas. É claro que a grandeza moral deles, de se desculparem e ainda a coragem de revelarem a própria “vergonha” por não terem ido adiante, provoca em nós o imediato e justo sentimento de: “O que é isso? Você é um lutador. Estamos orgulhosos de você. Cabeça erguida e vamos em frente. Haverá outras oportunidades. Estaremos sempre na torcida por vocês”.

Recusamos as desculpas e o sentimento de vergonha de gente honrada porque uma grandeza leva à outra. E o fazemos, como disse, automaticamente. Apoio e força a quem tem muito o que avançar ou fez muito para ir adiante.

É questão de nobreza. E é lindo ver isso aflorar na sociedade brasileira, desgastada por fatos ruins, é verdade, mas autocríticas, por vezes, exageradas.

Tenho por certo que assim se faz uma sociedade melhor.

Com honestidade nos sentimentos.

Ps.: Danielle Hippólito, da ginástica, que se desculpou, e Victor Penalber, do Judô, que disse ter sentido vergonha ao receber o carinho da torcida mesmo com a derrota, em frente, meninos! Vocês se dispuseram a estar na disputa em nome do país. Estamos com vocês!