Pra inglês, americano, outros gringos e brasileiros verem

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Se o fez com essa intenção, é assustador o parágrafo, no meio da extensa reportagem, que pode revelar um aparente (“ou não”, como diria o Lulista Caetano Veloso), desconhecimento da amplitude da operação, da nova fase da justiça brasileira e dos anseios nacionais contemporâneos de punir seja quem for, de querer se livrar do mal da corrupção e de avançar institucionalmente. E curioso é que vem justamente do maior jornal de uma sociedade, a norte-americana, que pune severamente o ato de mentir, independente do grau e da consequência da mentira.
É o jornalismo ou os valores sociais que estão se deturpando? Ou ambos?
Reproduzo abaixo o texto original e uma tradução livre desse trecho da reportagem:

– nas investigações da Lava jato, há uma miríade de partidos envolvidos e com acusações sendo investigadas, entre governistas e oposicionistas de vários partidos e tempos. E muitos empresários.

– A Lava Jato investiga e já prendeu muita gente entre políticos, “laranjas” e empresários.

– o Mensalão de 2012 foi o maior processo judicial da história brasileira, que levou à cadeia políticos e poderosos que jamais se imaginaria presos. E rendeu frutos de independência ao judiciário.

– Lula, investigado em outro processo em Brasília, é, se o juiz Sérgio Moro acolher as novas denúncias dos promotores, apenas a bola da vez. Bola que parece ser de neve na tentativa imensurável de um país passar-se a limpo. Não é pouco e não vai parar por aí.

Não é justo, se essa foi a real intenção do NYT, relativizar a corrupção neste país, Não mais.

Abaixo, o link da reportagem na íntegra:

http://www.nytimes.com/2016/09/15/world/americas/brazil-lula-corruption-charges.html?hpw&rref=world&action=click&pgtype=Homepage&module=well-region&region=bottom-well&WT.nav=bottom-well

Democracia automática?

Por Adalberto Piotto

O filósofo Roberto Romano diz no meu filme, o “Orgulho de Ser Brasileiro” (orgulhodoc.com.br), que não temos no Brasil o “automatismo da vida democrática”. E disse isso em 2012, nas filmagens do documentário.

Argumenta ele que tudo o que nos é de direito neste país, mesmo sendo “de direito”, já escrito e decidido, exige ainda do indivíduo um esforço dele e do grupo para que aquele direito lhe seja atendido, seja-lhe natural, previsto e automático. Não basta ser um direito, é sempre preciso insistir, lutar, brigar.

Ou seja, nada está pacificado e vive sob análises protelatórias.

Vimos ontem que nem o texto constitucional, no que ele tem de mais reto e direto, também sofre de intermináveis interpretações em detrimento de sua inalienável aplicação justa e célere.

O descalabro de ontem, de Renan, Lewandowski e a bancada de Dilma, com apoio de parte do PMDB, que fatiou o impeachment e a punição à presidente deposta, foi uma ofensa à Carta e aos cidadãos de bem.

Uma afronta à legalidade tão clara que deveria ter análise e correção automáticas pelo guardião da Constituição.

Com a palavra – e urgente – o Supremo Tribunal Federal.

Impeachment jabuticaba

Ontem, na decisão mancomunada com o que há de pior na política brasileira no momento (políticos e partidos costumam se superar), o presidente do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski rasgou o texto constitucional.

Ao “reler” uma artigo claro da Constituição, dando-lhe uma interpretação peculiar ao texto sobre o impeachment, que resultou no fatiamento da votação e punição pela metade, ele, Renan, o PT e parte do PMDB produziram para espanto da nação um impeachmet jabuticaba, uma dessas coisas que só existem aqui.

De resto, ao afrontar a Constituição, ofenderam os de bem que insistem com a cidadania e a democracia neste país.

De divergências e respeito ao cidadão

Por Adalberto Piotto

Eu tinha uns 20 anos, acho, quando fui na condição de jornalista e réu, pela finada Lei de Imprensa, a um tribunal.

Estava lá porque, como repórter de um semanário da minha cidade no interiorzão de São Paulo, eu tinha denunciado um ex-prefeito que tinha desviado dinheiro da educação para canalizar um córrego. Ele me processou.

Resumo a história pra dizer que o córrego nunca foi canalizado, a educação perdeu recursos, eu ganhei o processo ao ser absolvido das acusações e ele, o prefeito, ficou inelegível por 8 anos.

O caso é apenas uma introdução pra citar uma cena que me chamou a atenção, à época, pouco antes da primeira audiência no Fórum: o congraçamento dos advogados na salinha do inferno, também conhecida como sala da OAB.

Advogados de acusação e defesa se refestelavam exageradamente em abraços calorosos de grandes amigos, inclusive minha testemunha principal, também advogado, que tinha providenciado todas as provas que me levaram a escrever a reportagem, para momentos depois se digladiarem nas discussões em defesa da parte de cada um.

Não esperava, dado o ritual de civilidade do Forum, que antes das alegações se estapeassem. Mas que, ali, naquele momento, mantivessem só a civilidade dos cumprimentos formais, educados, só isso. Seria o suficiente, não seria?

Aquela cena dantesca, que alguns dirão que se trata de uma prova da convivência “civlizada” (uso o termo de novo) entre antagonistas no mérito, adversários no processo, mas nunca inimigos mortais pela causa, me deixou perplexo. Aos 20 anos, cheio de ideologia, tendo escrito a reportagem e denunciado o ex-prefeito que tinha praticado um atentado à verdade ao desviar recursos obrigatórios para a educação e não canalizado o córrego, ou seja, caso de malversação de dinheiro público, a cena do congraçamento causou em mim prerplexidade.

Eram todos, coincidentemente, advogados: a fonte da informação e dos documentos, na condição de minha testemunha; o alvo das denúncias, o ex-prefeito que me processava por calúnia, difamação e injúria, e seu causídico de acusação; além, claro, do meu primeiro advogado no processo. Este último, destituído da defesa por mim, logo depois, porque negociou uma retratação minha às escondidas, portanto desautorizada, sem meu conhecimento, que de tão ilegal e maldosa foi depois anulada pelo juiz. A mentirosa retratação foi considerada ofensiva à minha honra e à lei, dado que fora publicada em outro jornal, sem meu consentimento – duas ilegalidades – algo que a própria Lei de Imprensa proibia.

De novo, insisto, não pretendo aqui condenar a civilidade entre adversários, a elegância no trato, a perseverança nas relações bem educadas mesmo entre opositores. Não! De forma alguma. Sou um defensor disso tudo.

Só não posso considerar normal afagos, risos e abraços no melhor estilo ‘grandes amigos’ no momento em que partes lutam por divergências sérias, ilegalidades que comprometiam, neste caso que narrei, a educação de crianças e o saneamento básico de todos. Ilegalidades que expunham desvios de conduta, má gestão, recursos públicos perdidos.

Lembro-me muito bem de não ter cumprimentado o outro lado, o ex-prefeito que me processava, alvo de minhas reportagens que o denunciavam como um mau gestor público. Não acenei com gestos de cograçamento em nenhuma das sessões que nos encontramos. Tampouco o agredi ou me imaginei fazendo isso. Mantive a distância e o tom sério que preservavam o ambiente judicial, o respeito ao devido processo legal e a minha integridade moral. Só isso. Era o sufuciente. Pra dignidade, necessário.

Conto toda essa história por causa desta foto abaixo, de Dilma, Cardoso e Aécio, desse clima de amizade e bom humor entre opositores no Senado no momento em que o país decide sua vida no processo de impeachment de Dilma Rousseff. A divergência legal e de projeto de nação que opõem ambos os lados em suas manifestações oficiais, não poderiam permitir a nenhum deles mais que o sereno e respeitoso cumprimento formal ao opositor. E só.

Foram, perigosamente, além. Todos os da foto abaixo e outros de outras cenas que este retrato não revela! Cruzaram a linha da hipocrisia e, ao supostamente manterem o “respeito” dessa forma tão efusiva, desrespeitaram os cidadãos de bem que lutam sem rir por um país melhor. Nada abala os argumentos que podem depor a presidente ou mantê-la, porque legal ou retoricamente válidos.

No entanto, a cena constrange de cá. Seria melhor que começasse a constranger os de lá.

Não imaginem os leitores que essa seja a primeira vez que isso acontece ou que me acontece. Quando âncora de rádio, portanto sem imagem, conduzi um debate no estúdio de São Paulo, entre parlamentares em Brasília, no Congresso. Logo depois, vim a saber pelo repórter local que os assistia, que eles, apesar da forte divergência demonstrada no ar, se abraçavam no momento da crítica ao outro. Considerei ofensivo à verdade, ao jornalismo, a mim, e, sobretudo, à audiência. Coloquei ambos os parlamentares na geladeira. E de lá não saíram antes de eu deixar a rádio.

Respeito é bom e alguém precisa tomar providência.

Senão, sempre haverá lembrança do célebre causo do filme Philadelphia:

“O que são 200 advogados acorrentados no fundo do mar? Um bom começo.”

 

Ps.: link e foto originais de reportagem do Jornal O Globo na internet, 30/08/2016.

http://oglobo.globo.com/brasil/senadores-se-confrontam-no-julgamento-do-impeachment-mas-em-intervalo-fazem-piadas-20015553?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar

Mudou o governo, sabia?

Por Adalberto Piotto

Falta parte da imprensa descobrir que mudou o governo, a que cobre o setor cultural, sobretudo.
Li várias reportagens perguntando apenas para artistas e produtores culturais ligados ao PT sobre as mudanças no comando da pasta da Cultura no governo Temer, iniciado na quinta, sexta.
Que respostas senão as excessivamente críticas e ideológicas esperam ouvir depois do Fla-Flu indigente que se tornou o debate brasileiro com a deletéria instituição do “Nós contra eles” do irresponsável ex-presidente Lula? E mesmo que colha opiniões enviesadas, como se nota, cadê o aprofundamento da entrevista tentando expor o opinante a algumas contradições? Há um declalatório publicado, não entrevistas.
Ao descrever nas reportagens essas opiniões sem grandes questionamentos ou contextualizações, como se representassem uma média geral do pensamento, prejudica-se o contraditório. Há muito mais diversidade de opinião acerca da cultura ou suas políticas públicas por aí do que as ligadas ao governo Lulopetista. Agenda desatualizada para novas fontes, falta de senso crítico nas redações culturais?
Além do que, esses artistas estão mais para destiladores de mágoas e partidarismos do que analistas de questões técnicas, sempre motivados pela razão partidária que parece movê-los. Como avançar no debate sob esse contaminado argumento?
Rótulos como “retrocesso” vertem em análises da profundidade de um pires e são inquestionavelmente publicadas e vendidas como definitivas acerca das políticas culturais do novo governo sem que estas ainda tenha de fato sido apresentadas. Hein?
Outro dia, os “servidores” do Minc (sabe-se lá o que isso quer dizer pra essa gente) vaiaram o novo ministro da Educação que abrangerá a Cultura no primeiro dia de trabalho dele quando foi apenas se apresentar aos funcionários. Como assim?
Deselegância, preconceito ou agressivo posicionamento político? Não importa, todas as opções são ruins e só escancaram ainda mais o aparelhamento que o Ministério da Cultura sofreu sob Lula e Dilma.
Como hábito, esses grupos privatizaram a coisa pública e se negam a discutir qualquer mudança porque perderam a hegemonia do poder que lhes garantia a canetada unilateral.
Não há discussão honesta ou aproveitável com quem prejulga ou apenas usa a crítica para fazer política partidária em vez de cultural. Quem parece politizado se revela apenas um cabo eleitoral. Servir o público? Jamais! Interesse público? Duvido. 
Há uma imensa parte da classe artística que discorda das políticas implementadas por Juca Ferreira, Gil, etc, e que deveria ser ouvida para ampliar o debate. O contraditório está nela, não na hegemônica e orquestrada opinião dos artistas que são preliminarmente contra o atual governo por outras razões que não a discussão necessária e verdadeira da cultura do Brasil.
Vamos realmente discutir a cultura ou nos deixar levar pelos interesses de quem, ao negar-se ao debate real, se denuncia apenas militante de partido, não da cultura?
Ministérios não são maiores que suas práticas, suas políticas. São meios, não os únicos.
 
 
Em tempo: se todo mundo de bom senso reconhece que a máquina pública brasileira é inchada e ineficiente – os números provam isso -, por que artistas “iluminados”, queridinhos da mídia culturete, e jornalistas deslumbrados, tentam transformar, a la Goebbels, a fusão do Minc com o MEC como se fosse um atentado doloso contra si mesmos?
Por que esse grau de rejeição sem tentar compreender as razões maiores da máquina do estado?
Por que corte bom é só na carne do outro? Seria isso?
Há uma hipocrisia e contradição enormes na discussão brasileira por parte desses descolados que se imaginam com cultura ou conhecimento acima dos outros. Há um egoísmo pessoal em detrimento de uma coleitva cultura patriótica de gente aparentemente incapaz de se entender apenas parte de um todo maior chamado Brasil, um país de muitas necessidades, algumas mais urgentes que outras.