Democracia automática?

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De nós, os sensatos, contra eles, os truculentos

Tomei conhecimento hoje de manhã dos atos de intimidação que acometeram Juca Kfouri, quando pessoas mascaradas foram até a rua em frente ao prédio onde mora e o xingaram. Também o chamaram de “petista” com a reclamação de ele ser contra o processo de impeachment.

A reportagem está na Folha, onde Juca é colunista.

Juca é contra o impeachment de Dilma e já dissera isso com mais ou menos eloquência argumentativa nos seus artigos.

Uma opinião, um direito, uma tese a ser discutida.

Eu, por exemplo, penso o contrário. O impeachment, não bastasse constitucional e fundamentado factual e juridicamente, é um ato legítimo em sua integralidade que teve rito e propósito estabecidos pelo Supremo Tribunal Federal recentemente.

Dirimidas eventuais dúvidas quanto ao processo, ao julgamento.

O impeachment de Dilma é para mim a repetição da afirmação da lei brasileira que governantes não estão acima da Constituição. Collor terá companhia na história.

No entanto, a divergência de opinião acerca de mesmo tema que nos une – Juca e a mim (e a tantos outros) – num debate saudável e necessário, me dá o dever, que chamo igualmente de direito, de condenar a violência ao cidadão Juca Kfouri.

E o faço deixando claro que condeno incondicionalmente qualquer crime de intolerância, como é o caso, contra ele e a tantos outros, vítimas iguais da incapacidade violenta alheia de conviver com a opinião diferente. Violência específica que nos tem assolado, sobretudo depois do odioso e covarde argumento do “nós contra eles”, incensado por irresponsáveis que se achavam – já não estão mais – acima da lei. O asqueroso argumento tem sido a inspiração de truculentos de todos os lados, sobretudo os do lado estúpido.

Não é desconhecido de nós que as redes sociais se transformaram, pra citar uma definição do filósofo Roberto Romano, em “redes de ódio”. A selvageria é extensamente publicada por gente que agride à distância, sob o signo da covardia.

A distância com que fazem suas agressões permite que estes se escondam, além de que a tipificação de crimes cibernéticos ainda nos é de pouco domínio e curto alcance.

Mas diferente de tudo isso é quando um cidadão passa a ser atacado em frente à sua casa, fisicamente, porque com consequências muito palpáveis e imediatas.

O caso se trata de mero – não menos terrível e punível – crime de invasão, de atentado às liberdades, à democracia e à privacidade, sobejamente conhecido de todos.

Meu incondicional apoio e solidariedade ao Juca e aos outros, sob quaisquer pontos de vista, que estão sendo vitimados pela selvageria suprapartidária que atenta contra o Brasil.

Em tempo:
Juca me escreve por email acerca de meu post. Ao que ele diz:
 
“Diga-se que não sou contra o impeachment. Sou contra o impeachment sem crime grave. Pedalar todos pedalam ou pedalaram. Mas é possível que apareça um crime grave.Daí…
Em resumo: penso como o Marco Aurélio Mello.”
 
Minha resposta:
 
“Sem prejuízo de nossa discordância, porque considero pedalada algo grave – e puni-la hoje nos dá uma evidência de punição amanhã e, quem sabe, até com efeitos retroativos -, foi assim que pensei escrever. Farei o adendo.”
 
Adendo feito.