Orgulho de insistir

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De Nova York

Foram cinco dias nos Estados Unidos.
Duas exibições do meu filme Orgulho de Ser Brasileiro, debates oficiais e conversas formais e informais sobre o Brasil e sua sociedade em Harvard e Columbia, duas das mais prestigiadas e importantes universidades do mundo.
A exibição do Orgulho em Columbia foi ontem à noite. Tá tudo fresco ainda na cabeça. O debate latente que se protagonizou.

DSC_2671Saio daqui com a sensação de que o filme e a discussão conseguiram provocar ainda mais a discussão honesta de Brasil que tanto precisamos. Digo “mais” porque um grupo de alunos do mestrado de Columbia já faz isso por lá, o pessoal do Brazil Talk, que lidera o debate e insiste na maior e melhor compreensão dos temas que nos acometem como país.
O mesmo, e já escrevi outro dia, vi em Harvard, na terça. Em ambas, tive o privilégio de perguntas de altíssimo nível.
Fazia algum tempo que não participava de uma exibição do filme. E a volta ao filme, ao front de discussão, me fez lembrar das perguntas que recebi em todas as exibições para o público que fiz no Brasil e no exterior desde quando o filme fez sua estreia como selecionado da mostra oficial do Cine PE em abril de 2013.

DSC_2665 Lembro das exibições para os funcionários das usinas da CESP e sua concepção socioantropológica do país em alto nível; do desejo dos moradores da periferia de São Paulo em que a parede do centro comunitário foi a tela, o mural de discussões; da mostra no Sesc da Augusta; na turnê do Ciee, a convite de Walter Fanganiello Maierovitch e Luis Gonzaga Bertelli, por Manaus, Brasília, Fortaleza, Piracicaba, São Paulo e Campinas e aquela meninada comprometida de verdade; por todas as cidades do exterior do Focus Brasil do inventivo e engajado Carlos Borges (Londres, Fort Lauderdale, Hamamatsu e Oslo), da Feevale de Marcos Santuário e seus alunos que até hoje me escrevem, e do London King’s College, o primeiro centro acadêmico internacional a ter o filme no seu acervo de estudo.
Algo que só eu testemunhei. E numa confissão aberta, tenho de dizer.
Mais que a nacionalidade, há um desejo de debate honesto que nos junta neste país.
Estes brasileiros, todos nós, criticados por nós mesmos, sob o estereótipo que não levamos o país e nós mesmos a sério, quando confrontados com a honestidade intelectual, reagimos com honestidade intelectual.

DSC_2668 Eu sempre defendi tese de que, uma vez tratados com franqueza, com transparência, as pessoas entrariam no debate. Até hoje, inclusive pela mídia, nós, os brasileiros, fomos, na maior parte das vezes, levados na galhofa.
Nunca foi sempre e todo sério. Resultou em piada.
Mas o “Orgulho” tinha de fazer diferente para fazer e ser mais. Tinha de provocar o debate real. E o fez.
Quando escrevi o roteiro, quando concebi a idéia, quando escolhi os entrevistados, eu sabia que se o filme fosse o resultado de perguntas honestas com respostas honestas, uma conversa pra valer, o público daria de volta a mesma discussão.
Algo simples assim: ‘se me levar a sério, eu te levo a sério’. Mas teria de partir do filme. O público é receptor.
Não espere. Faça você. Ouse você.
Por isso, inovei na narrativa, expurguei a estética e a linguagem do coitadismo e o estilo favela-movie do meu filme.
Nenhum povo sério gosta de ser tratado como coitado, de ser tratado como menor. Nem miséria comove o Brasil que já a conhece bastante. O que se busca é a discussão honesta para resolvê-la. Não o bate-estaca que estrutura antigos e finca novos pensadores do drama social brasileiro que nunca resolvem nada.

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O Orgulho jamais se prestaria a isso.
Aliás, não espere de mim nem de meus filmes o sentir pena de si mesmo.
Isso é argumento paupérrimo de pseudointelectuais e de produtores e críticos preguiçosos, acomodados e acostumados ao fácil.
O Brasil é difícil. Pensar assim não ajuda nada. Essa gente não ajuda em nada.
E quando procurei os entrevistados, quando expliquei o que era o filme e sua proposta de inovação do debate cinematográfico de Brasil, fui muito bem recebido.

Exatamente por causa de tudo isso os entrevistados foram fantásticos.
Você pode conseguir 15 entrevistados tão comprometidos como os meus. Mais, não!! O uso do advérbio de intensidade é desaconselhado pra definir caráter.
O “Orgulho” é a prova cabal de que uma vez tratados com honestidade intelectual, entrevistados e público, ambos devolvem honestidade intelectual.
A mídia brasileira deveria se atentar a isso.
E nessa andança toda exibindo o filme pelo Brasil e no mundo, vi muita gente disposta a discutir o país pra valer.
Gente que leva o Brasil a sério ou que só estava esperando uma oportunidade para se juntar aos que querem construir uma nação de verdade.
A intensidade do envolvimento visto no debate, nas reações, nas perguntas que testemunhei, é de quem está a fim.
O hino nacional, lindo e dono da arte documental do filme, diz “verás que um filho teu não foge à luta”.
É o que tenho visto por aí.
É o que o Brasil não pode prescindir neste e em nenhum momento.

PS.: Na sala de embarque do JFK, o aeroporto de Nova York, onde escrevo este post aguardando o vôo para São Paulo, tenho de agradecer Hussein Ali Kalout e os estudantes da HUBA, em Harvard University, e Marcello Bonatto e seu grupo Brazil Talk, de Columbia University, os autores dos convites para as exibições desta semana nos EUA e entusiastas do filme. Obrigado, meus caros !!

 

“Orgulho” será exibido em Harvard e Columbia

 

“Orgulho de Ser Brasileiro” projeta o Brasil nos Estados Unidos

Documentário dirigido pelo jornalista Adalberto Piotto será exibido dia 27 de outubro, na Harvard University, em Cambridge, Massachussets; e no dia 29, na Columbia University, em Nova York.

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Por Wagner Sturion, especial para o portal Homo Sapiens

Quais motivos você tem para se orgulhar do Brasil? O bom brasileiro não consegue enumerá-los. Sequer descrevê-los. Orgulho é algo que preenche o peito de tal satisfação que se ela não for expressa é capaz de explodir emoções. O brado retumbante de um povo heroico retrata o gigante pela própria natureza, a pátria amada e seus raios fúlgidos, a terra adorada entre outras mil, no filme sempre atual do jornalista e cineasta Adalberto Piotto, “Orgulho de Ser Brasileiro”, que agora será exibido em duas das mais importantes universidades do mundo: dia 27 de outubro, na Harvard University, em Cambridge, Massachussets; e no dia 29, na Columbia University, em Nova York.

Os convites ao diretor foram feitos pelo cientista político e pesquisador de Harvard, Hussein Kalout, e do mestrando da Escola de Mestrado de Columbia, Marcello Bonatto.  De acordo com Kalout, “o documentário explora com perspicácia as raízes idiossincráticas do vívido sentimento da identidade nacional Brasileira. Trata-se, indubitavelmente, de um verdadeiro resgate do Brasil de contrastes. É um documentário marcante, intenso e brilhante”.

“Orgulho de Ser Brasileiro” provoca o espectador com a sua narrativa dinâmica. A reflexão é praticamente simultânea. Impossível não concordar, discordar, torcer e se retorcer na cadeira com algumas opiniões.   A fotografia conceitual explora vários ângulos dos entrevistados e deixa os depoimentos ainda mais instigantes. Permeado por trechos do hino nacional,  interpretado por Badi Assad, impossível não se emocionar e cantar mesmo que mentalmente a  nossa principal riqueza, o Hino Nacional. “Um filme que reitera o que temos de nos orgulhar e expõe o que temos de corrigir”, segundo o diretor.

Para quem ainda não assistiu, o documentário discute o sentimento envolto na mais emblemática frase que se ouve no País – e que dá título ao filme –  a partir dos depoimentos de cidadãos que se orgulham de sua nacionalidade brasileira como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o artista plástico Romero Britto, o técnico da seleção brasileira na Copa de 94 Carlos Alberto Parreira, a geneticista Mayana Zatz, a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva, o dramaturgo Gerald Thomas, os músicos Simoninha e Max de Castro, o filósofo Roberto Romano, entre outros.

Na opinião de Bonatto, da Columbia University, em tempos conturbados, o documentário cumpre um papel importante: o de engajar o espectador em um debate sobre o sentimento de ser brasileiro e sobre o que desejamos para o nosso País. “’Orgulho de Ser Brasileiro’ é um filme que incomoda porque traz à tona os paradoxos que fazem parte da identidade brasileira. Piotto conduz uma narrativa que revela as contradições de nossa sociedade. Do escritor da periferia ao ex-presidente da República, os personagens constroem a sua própria ideia de Brasil. Ao espectador, cabe concordar ou discordar. Mas, sobretudo, deve-se aceitar a provocação. Para o brasileiro, ser é não ser. Corrupto é sempre o outro. Se queremos transformar o País, precisamos tomar um passo gigante em direção à cidadania plena. Para tanto, o brasileiro precisa cobrar de si o que cobra do outro. Lançado em 2013, ‘Orgulho de Ser Brasileiro’ continua atual e busca em cada brasileiro a resposta para fazer do Brasil um País melhor.”

Mais sobre o filme

O “Orgulho de Ser Brasileiro” foi lançado em 2013 e reúne 15 entrevistados num dos mais inovadores e ousados filmes sobre o Brasil e sua sociedade. Já foi exibido em várias cidades e capitais brasileiras, selecionado para a mostra principal do Cine PE, das exibições e eventos do Focus Brasil em Fort Lauderdale, Londres, Hamamatsu e Oslo.

Também faz parte do acervo do King’s College London, em Londres, onde foi exibido em plena Copa do Mundo de 2014, do acervo do MIS de São Paulo, da Cinemateca e teve quase 3 mil DVDs distribuídos gratuitamente a escolas, universidades, sindicatos e institutos de estudo do Brasil e do exterior como contrapartida espontânea do diretor Adalberto Piotto.

O filme, que ficou em cartaz durante um ano no NetFlix , está disponível no Brasil nas plataformas on demand do NOW, da Net, e da locadora virtual LOOKE (looke.com.br).

O Orgulho de Ser Brasileiro é um filme independente cuja carreira internacional chama a atenção. É provocador e rompe com as estéticas habituais dos filmes do cinema nacional que discutem o Brasil. Não por isso, chama a atenção de pensadores aqui e fora do país.

 Depoimentos sobre o filme Orgulho de Ser Brasileiro

(Acadêmicos brasileiros e estrangeiros e críticos)

 Hussein Kalout – Cientista Político e Pesquisador da Universidade Harvard.

O documentário do jornalista Adalberto Piotto explora com perspicácia as raízes idiossincráticas do vívido sentimento da identidade nacional Brasileira. Trata-se, indubitavelmente, de um verdadeiro resgate do Brasil de contrastes. É um documentário, marcante, intenso e brilhante.”  

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Marcello Bonatto, escola de mestrado em política na Columbia University

Em tempos conturbados, o documentário produzido por Adalberto Piotto cumpre um papel importante: engaja o espectador em um debate sobre o sentimento de ser brasileiro e sobre o que desejamos para o nosso país. “Orgulho de Ser Brasileiro” é um filme que incomoda porque traz à tona os paradoxos que fazem parte da identidade brasileira. Piotto conduz uma narrativa que revela as contradições de nossa sociedade. Do escritor da periferia ao ex-presidente da República, os personagens constroem a sua própria ideia de Brasil. Ao espectador, cabe concordar ou discordar. Mas, sobretudo, deve-se aceitar a provocação. Para o brasileiro, ser é não ser. Corrupto é sempre o outro. Se queremos transformar o país, precisamos tomar um passo gigante em direção à cidadania plena. Para tanto, o brasileiro precisa cobrar de si o que cobra do outro. Lançado em 2013, “Orgulho de Ser Brasileiro” continua atual e busca em cada brasileiro a resposta para fazer do Brasil um país melhor.

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Marcos Petrucelli, crítico de Cinema, Rádio CBN

“Em algum momento da minha vida, caso o jornalista e cineasta Adalberto Piotto me perguntasse “Você tem orgulho de ser brasileiro?”, muito provavelmente eu não saberia responder de forma direta. Num passado não muito distante, havia coisas e situações que me motivavam a ter esse orgulho. Outras não. Hoje, no entanto, eu teria mais firmeza na resposta. Assim como posso afirmar que orgulho, mesmo, é saber que ao menos algumas mentes brasileiras, como a de Adalberto Piotto, foi capaz de ousar na pergunta, na forma e na estética para realizar o doc “O Orgulho de ser Brasileiro”. Além de um exercício do bom e velho jornalismo levado a sério, Piotto nos entrega um filme capaz de nos fazer refletir e colocar em discussão tudo aquilo que já fomos, somos e ainda podemos sonhar em ser enquanto cidadãos desse gigante chamado Brasil.”

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Roberto Romano, filósofo, professor de Ética Política da Unicamp

“O filme Orgulho de ser brasileiro põe as consciências diante de uma polissemia estratégica. Sempre que se fala em “orgulho” ligado a um país, se espera uma catarata de nacionalismos, sectarismos,patriotismos baratos. O título dado por Adalberto Piotto desengana quem segue as trilhas da propaganda, governamental ou social. Com análises sóbrias de pessoas empenhadas nos variados setores da cultura, o filme expõe problemas e indica soluções, longe das receitas partidárias e dogmáticas que entravam a compreensão de um povo. A obra vale como documento e análise, serve para quem deseja conhecer o Brasil de ontem, de hoje e de amanhã”.

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Roberto Damatta, antropólogo e escritor

Eis um depoimento que dou com muito gosto:

 “Eis uma reflexão sobre o Brasil que, além de reunir muitas vozes, traduz uma visão clara, honesta e esperançosa de um país com suas contradições e denominadores comuns. Vale ser visto e discutido.   

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Russell Landsbury, University of Sydney Business School Emeritus Professor, Australia

‘The Pride of Being Brazilian’ is highly recommended to be seen by everyone with an interest in Brazil.  Adalberto Piotto has directed a superb film which features a wide range of influential Brazilians from different walks of life and provides great insight into this dynamic and vibrant nation

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Marcos Santuário, Jornalista, crítico de cinema e editor de Cultura do Jornal Correio do Povo, Porto Alegre. Coordenador da pós graduação em jornalismo da Universidade Feevale. 

Foi na tela grande que vi pela primeira vez o trabalho lúcido e corajoso do jornalista Adalberto Piotto em “Orgulho de Ser Brasileiro”. Com ritmo e intensidade, sua narrativa dá voz a pensamentos e sentimentos que ajudam a tecer uma maior compreensão do emaranhado e maravilhoso universo de nossa identidade e nossa cultura… Mais do que competente jornalista, Piotto se apropria com talento dos recursos do audiovisual para provocar, instigar e refletir, criando documento para a história contemporânea...

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Cláudio Lacerda, professor da Universidade de Pernambuco, cirurgião

“Orgulho de Ser Brasileiro” revela com maestria as virtudes de uma nação singular. Uma obra edificante”.

Forte abraço, Piotto.

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Professor Anthony Pereira Director, King’s Brazil Institute, King’s College London

It was a pleasure to exhibit your film “Orgulho de Ser Brasileiro” at the Brazil Institute and to hear your answers to the many questions from members of the audience. The event was very interesting, and of obvious value to the King’s community and the general public. Thank you for donating a copy of the film to the Brazil Institute. The DVD is now in the film archive that we make available to our students. The film will be an invaluable resource to our master’s and PhD students.

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Leandro Fraga, professor Fia-USP.

Assisti ontem ao “Orgulho de Ser Brasileiro”, documentário realizado pelo jornalista Adalberto Piotto. O filme faz um mosaico, constrói um tecido delicadamente entrelaçado das opiniões de 16 entrevistados, personalidades de diversas áreas, brasileiros por nascimento ou opção, morando no país de origem ou fora dele. Embora o peso e a consistência das opiniões varie, até em função da própria experiência de vida de cada entrevistado, o filme já cumpriria bem o seu papel original de provocar um debate sobre o que é ser brasileiro, sobre o que somos e podemos vir a ser. Mas, hoje, não. Muito além disso, o que mais chama a atenção é o caráter quase premonitório de alguns trechos dos depoimentos. Iniciado em 2012 e terminado no primeiro trimestre de 2013, estão recolhidas ali falas que chegam a espantar, tamanha a sua sintonia com o que ocorre nas últimas semanas. Ouvem-se comentários sobre o acordar iminente do “Gigante Adormecido”; sobre as camadas de emergentes econômicos que haverão de querer mais que isso; sobre o que seria se “os 150 milhões de menos favorecidos fossem às ruas”; sobre a nossa eventual incapacidade de lidar com o cenário político vigente por mais tempo; sobre ética e serviços públicos. É, enfim, um documento atestando o quanto já sabíamos – talvez sem a exata consciência disso – de que algo estava sendo gestado na nossa sociedade. A conclusão a que cheguei foi que o “Orgulho de Ser Brasileiro” fala mais sobre o futuro do que possivelmente se podia imaginar no seu início. E, também, do quanto este debate – hoje agudo, porém menos intenso e qualificado do que poderia – precisa continuar e se aprofundar para levar às mudanças que tantos de nós afirmam querer.

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Luciano Pires

Palestrante e editor do Café Brasil

Assisti ao documentário Orgulho de Ser Brasileior ontem e é impossível permanecer inerte diante das opiniões das várias pessoas entrevistadas e das opiniões manifestadas. Saí da sessão triste, feliz, com raiva, motivado, arrasado, provocado e profundamente incomodado. E isso é muito bom.

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Orgulho de Ser Brasileiro, 2013

Gênero: Documentário

Produção: Piotto Produções

Direção: Adalberto Piotto

Longa-metragem: 87 minutos

Site: www.orgulhodoc.com.br

Facebook: /Orgulhodeserbrasileirodocumentario