Go, Brazil, gone!

Error. Page cannot be displayed. Please contact your service provider for more details. (32)

Sem julgar o filme que não pode ser visto ainda, e não faço aqui crítica de cinema, a realidade brasileira, e é dela que escrevo, é nossa inalienável companheira a nos mostrar como aquele modelo era insustentável e enganou uma vez mais a parte da sociedade deste país que ensaia ascender de vez desde 1500. E de alguma forma, com uma sensação de conforto mais qualificado e caro, também os do andar de cima na pirâmide social brasileira superfaturada.

O modelo econômico do populismo rasteiro, sem base teórica razoável nem sustentação prática, falhou, ruiu, decepcionou.

“Go Brazil, go” de Spike Lee, como um representante do momento, resultou, sem pretensão de ser, em uma espécie de ‘Gone Brazil, gone’.

Acabou o sonho, o deslumbre. Sobrou a crise e a mentira. O sonho do marketing governamental do ‘agora chegamos lá’ foi tão eficiente nos seus anos dourados quanto a inconsequência dos governos Lula e Dilma para garantir os ganhos e preservá-los. Os mínimos, ao menos.

Deu no que estamos vivenciando.

O filme? Não sei exatamente do que trata. Só quando – e se – o assistirmos.

O Brasil? Está aí para ser passado a limpo e reconstruído uma vez mais, vítima de destruidores famintos uma vez mais, agora da esquerda lulopetista.

Por isso, pergunto: quando é que os brasileiros vão aprender que o Brasil será tão somente o que nós fizermos dele? Que não há atalho, que o caminho é longo e que as soluções precisam levar em conta o futuro, mesmo que sejam duras aos contemporâneos?

Que somos nós os brasileiros os responsáveis por assumir e tomar conta do país com responsabilidade?

Agora, por exemplo, digladiamo-nos pra ver quem consegue mais espaço na mídia internacional. Pra inglês ver, no Guardian, de correspondentes engajados não no jornalismo, mas em suas convicções e conexões suspeitas.

De novo? Santo Onofre! Que mania de colonizado que não acaba nunca!

Enquanto isso, o bom e bem feito jornalismo brasileiro denuncia e escacara o populismo e os maus tratos da classe política e da própria população com o país.

Este é escrito e falado em português, acessível e para todos os nacionais que importam e deveriam se importar com a real vida brasileira.

Todos entendem que estamos mal.

E é disso que o atual governo tenta fugir com versões em inglês pra mídia internacional de “golpes” e atentados à democracia que simplesmente não existem. Versões que jamais serão suficientes para ocultar seus crimes e sua irresponsabilidade com as contas e as necessidades do país.

Os números da contabilidade criativa ou das pedaladas fiscais, a dengue, a zika, a picada do Aedes, o esgoto nos rios e praias, as contas da corrupção, os números do desemprego, da inflação, das ações da Petrobras em queda e ciclovias malfeitas sendo levantadas pelas ondas do mar são a linguagem universal do descaso e da incompetência.

Todo o mundo entende.

Bolivarianos de segunda linha

O Brasil não é uma Venezuela, mas o governo e o partido do governo agem como bolivarianos no pior estilo Chávez-Maduro.

De certo e de errado, a Natura foi natural e autêntica

Por Adalberto Piotto

É assim que a coisa dá certo e dá errado no Brasil. Vejam esse caso dos empresários, de gente da iniciativa privada, poderosa e influente, narrado no Estadão, no dia 17 de março de 2016, na coluna de Sonia Racy.

O caso positivo, primeiramente – elogiável, eu diria. Pedro Passos, da Natura, se expõe num ato de coragem pessoal e compromisso republicano ao emitir sua opinião sobre a “insistência no erro” na decisão da presidente de trazer Lula, um investigado da Lava Jato, para ser ministro-chefe da Casa Civil: “É um desrespeito ao desejo da sociedade”, além de indicar sua insatisfação explícita com a condução do governo: “Não queremos mais este governo, não queremos mais este partido e não queremos mais corrupção”, ao se referir aos protestos de domingo que ganharam ainda mais corpo ontem.

Pedro Passos poderia se omitir, como faz a maioria dos empresários. Mas preferiu neste caso o caminho da honestidade intelectual, deu sua opinião. Poderia até ser outra, é de diteito democrático. Mas ele deu sua opinião.

Não é necessário dizer que esconder-se num momento como esse e não dizer de que lado está é um misto de esperteza deletéria e desonestidade que este país não precisa mais.

Digo isso para introduzir os antônimos de Pedro Passos.

O lado negativo que se revela fortemente no mundo corporativo deste país: os outros, que pela minha experiência de mais de 25 anos como jornalista é a maioria, faz diferente.
Segundo a própria nota do Direto da Fonte de Sonia Racy revela: “Esta coluna teve outras conversas com integrantes da iniciativa privada. Que, apesar terem a mesma linha de pensamento de Passos, preferiram o anonimato”.

Creio que o nome pra anonimato na hora da coragem republicana é outro. Covardia.

Comportamento típico de gente que acha que o povo brasileiro são os outros. Eles ficam nas sombras esperando o jogo terminar pra tomar posição. Tipo comentarista de jogo encerrado.

Fato é que as escutas telefônicas estão revelando a verdadeira face de muita gente.

Melhor que o façam de própria vontade e à luz do dia sob o risco de colocarem suas biografias em lugar pouco nobre, assim como o bem cortado paletó ou saia que vestem.

Às favas com os escrúpulos

Longe da paixão ideológica, partidária ou simplesmente paixão política ou por políticos, o que se insere no momento é a preservação da história do Brasil, já desafasada de grandes e éticos momentos.

Um investigado não é um culpado. Tampouco é um inocente sob todos os aspectos.

Um investigado é um investigado que não pode ser punido porque condenado não é.
Mas um investigado em escândalos de corrupção, suspeito de ser o beneficiário de empreiteiras condenadas e que usa de testas de ferro, com suspeição de ter liderado uma quadrilha política para esquemas de desvios bilionários de estatais, delatado por um companheiro de partido e ex-líder de seu governo, com um histórico de abuso às instituições nada elogiável, continua sendo um investigado.

E um investigado não pode ser condenado, ser preso, cumprir pena enquanto for só investigado.

Não poderia também ser chamado a ser ministro de estado, de quem se exige conduta ilibada, probidade e compromisso moral, ético.

Valores republicanos nunca podem ser afrontados por conveniências ou espertezas.

A menos que os afrontadores sejam do tipo de ‘às favas com os escrúpulos’.

Aí, tudo pode pra nada sobrar aos honestos, senão seu desejo de insistir e combater os maus no bom combate.

Mostrar de que lado se está em momentos assim é imprescindível.

À luta pelo Brasil.

Mudanças, não. Avanços!

Por Adalberto Piotto

O Brasil está fértil. O solo deste país está pronto para fazer nascer uma nação. E baseio minha análise nos fatos. Todas essas sementes que foram injetadas no chão brasileiro, de pequenas cidades a imensas capitais com chuva de debates reais é algo novo, inovador no nosso cenário político.
O momento do Brasil está fértil para avanços reais, não apenas mudanças.
É o que procuramos há tempos, nós os incomodados.
Mas fato é que não me recordo de um tempo tão propício para avançarmos de vez e superarmos alguns de nossos próprios vícios.
Não é otimismo, não. É uma depuração de análise histórica. Vejamos:

– A crença em mitos e salvadores da pátria, por exemplo, caiu.
Os mitos se foram, assim como os populistas que se imagivavam enviados especiais da divindade para nos tirar do subdesenvolvimento.
E não existe mais ninguém de bom senso que acredite neles, seja porque nunca existiram ou porque são tiranos disfarçados. O único que restou no imaginário dos incautos chama tríplex de 215 metros em frente à praia de “Minha Casa, Minha Vida”, revelando-se jocoso e arrogante com um dos problemas mais graves do Brasil que é o acesso à moradia. Não bastasse isso tudo, ainda zomba das instituições ao se imaginar acima delas. Nunca esteve. Não está. Chamado a depor ou vai por bem ou por mal…coercitivamente pelo bem da democracia deste país.

– A crença que não existe atalho para a superação de problemas, tampouco terceirização da suas obrigações com seu país e a sociedade que almeja são sentimentos que estão cada vez mais fortes. Vimos isso ao ver muito mais gente nas manifestações de domingo.

– Embora ainda haja exageros pretensiosamente anarquistas de excomungar todos os políticos, como se não fossem brasileiros colocados lá por outros brasileiros, a maioria sabe que a democracia brasileira é de representação e, portanto, sempre haverá representantes nas casas do Parlamento.
O avanço neste caso é que parece estar mudando de forma vigorosa é a percepção de que a sua participação na democracia não acaba no dia da eleição e que votar é só uma pequena parte da sua obrigação com seu país.

– Não haverá uma simples troca de poder a partir de agora.
Os apupos a membros da oposição no protesto da avenida Paulista, como Alckmin e Aécio, embora infinitamente menores à ojeriza e desejo de deposição que os brasileiros nutrem por Lula, Dilma e o PT, tamanha a tragédia política e social que provocaram, dão mostras claras que não se quer apenas a troca de comando no país, quer-se um avanço institucional na admininstração pública e na relação com o cidadão. O convencimento passa por aí agora.

– Movimentos sociais, estudantis e de trabalhadores como UNE, MSTs e sindicatos, antes catalizadores dos anseios populares, não representam nada mais ao brasileiros que trabalham (salvo uma ou outra exceção que terá de provar diariamente seu caráter).
Instrumentalizados, manipulados ou com “donos” partidários, perderam a representatividade e a essência da luta social. Reduziram-se a condomínios ideológicos, massas de manobra ou nos bichos do George Orwell, mais despóticos do que aqueles aos quais criticavam.
Foram todos substituídos pelas instituições de Estado, porque realmente de todos, como a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça, sem pegágio ou intermediário para serem acessados. Já escrevi sobre isso. O divórcio litigioso que existia entre os cidadãos e as instituições, porque aprisionadas a governos, opressivas ou inalcançáveis à maioria, está acabando e se tornando numa nova e feliz união. Essas instituições deram o passo decisivo de olharem para a população e se aterem apenas aos preceitos constitucionais que as regem, servindo-as legalmente.

A consciência de tudo isso que está acontecendo por nossa intervenção no país – antes ausente, hoje presente – é que tem fertilizado o solo deste país.

E como tem chovido milhões de incomodados país afora é hora de fazer nascer o Brasil prometido.

Afinal, são os incomodados que movem o mundo e plantam o Brasil que queremos.