Missão: ser ponto fora da curva

Não sou sem nunca fui um profissional do tipo “carreirista”, de que repete modelos pra si, para sua vida, e em seus trabalhos.

Não deve combinar com meu estilo de “ponto fora da curva”, suponho. E não é motivado por querer ser diferente. É por querer fazer mais e melhor, se diferente ou não, mera consequência.

No entanto, sabemos, é esse tipo de atitude, de colocar novos valores e visões, que provoca gráficos mais ousados e que constroem saídas e novos olhares para um mundo que precisa encontrar novas saídas para velhos túneis de dilemas.

Mas por viver num país cuja sociedade não aposta no talento nato, prefere o formalismo dos currículos formais, o preço é alto. Eu sei porque sou eu mesmo quem pago por minha ousadia.

A maior verdade sobre o país em que vivemos é que o Vale do Silício, com dinheiro, ideias e talentos extremamente valorizados, mesmo na fase de apostas, jamais seria criado aqui. Por burocracia, vaidade, conservadorismo ou sei lá o que mais, mas não teria sido aqui seu início por justamente termos como base essa cultura de seguidor e não de líder. As inovações aqui são raras, os inovadores privados, sufocados pelo regramento convencional e os da academia ainda mal-remunerados pelos programas de pesquisa. Ser cientista no Brasil não é o máximo. Deveria ser, mas não é.

Por culpa unicamente dos brasileiros, quando você faz coisas fora da curva, embora seja reconhecido intelectualmente pela inovação que fez, isso não lhe resulta em propostas concretas de trabalhos e valorização profissional e financeira, um contrassenso, sei, mas é a nossa crua e dolorida realidade neste país.

Olho pra mim mesmo, e o fato de eu ter deixado uma carreira de sucesso como âncora de uma das mais importantes rádios de notícia do país para fazer um filme (www.orgulhodoc.com.br) que inovou na abordagem do entrevistado e em técnicas de entrevista, fotografia, narrativa e na forma de discutir o Brasil, na contramão do coitadismo brasileiro e, portanto, na criação de um debate mais franco de nós por nós mesmos (extremamente valorizado com exibições à convite de universidades internacionais como Harvard, Columbia, London King’s College), nada disso me fez mais sedutor na hora de ser chamado para novos trabalhos ou projetos pelos gestores e tomadores de decisões corporativas que ainda vivem no seu mundo quadrado e, por conveniência ou incapacidade, com receio de sair da “caixa”e apostar na novidade, mesmo a que já deu certo.

Talentos inovadores não vivem nem produzem inovações em mundos quadrados, do tipo “caixa” e, daí, uma conexão com os tomadores de decisão parece não dar encaixe, como naqueles jogos de crianças com espaços quadrados, redondos e triangulares, com peças da mesma e de diferentes formas.

E isso acontece porque ou as empresas sofrem de hipocrisia ou de deficiência de leitura e compreensão do que elas mesmos pregam. Se metade das empresas seguisse aqueles objetivos que alardeiam, normalmente dispostos em quadros com o título “Nossos valores e missão”, ah, teríamos muito mais inovação, transformações, talentos criando e, sim, um país mais moderno e desenvolvido.

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