Honestidade intelectual desguardada

Fato é que resultou quase numa propaganda do PT que João Santana não faria melhor. Há comparações do momento atual com o regime de militar equivocadas pela distância do tempo e pelo mérito, o conteúdo dos dois momentos separados por mais de 30 anos. Ao falar da votação do impeachment, o repórter resume a Câmara no devaneio tresloucado de Bolsonaro sobre o torturador Ulstra e na grave situação processual de Cunha. Este é um erro crasso que repórter iniciante jamais cometeria. São 513 deputados! Bolsonaro foi eleito. Jamais teria o voto de gente republicana, mas ele foi eleito mesmo com suas convicções horrendas sobre direitos humanos. É o voto e a lei. Tanto quanto Dilma, mesmo com as ofensas aos adversários e a corrupção entranhada em seu primeiro governo. É o voto e a lei. Desmerecer essa situação sem contextualizá-la é autoritário. A democracia está longe de ser perfeita. Tem seus problemas, mas é assim que funciona e permite contraditórios. Lula é suspeito no Brasil de se beneficiar de esquemas de corrupção com sítio e tríplex, investigado por ocultação de patrimônio, e é retratado como o seria há uns 5 anos: um líder carismático perseguido pelo ódio das elites ao PT. No entanto, foi tratado como fonte republicana inquestionável. João Santana não faria melhor. Sentiria um pouco de vergonha depois do grampos. effekten av cialis A campanha de Dilma é suspeita de ter sido financiada por dinheiro de corrupção – há um processo que foi reaberto no TSE que de tão evidente o PT quer que leve Michel Temer junto -, o governo do PT quebrou a Petrobras e desencadeou o maior escândalo de corrupção no país, com graves acusações de má gestão de Dilma (Pasadena, por exemplo) e a presidente é apontada como uma mulher forte, que lutou contra a ditadura e que é vítima. Não disse que João Santana não faria melhor? Além de preso, perdeu o emprego para o repórter. Há um processo legal de impeachment com todo o rito balizado pelo Supremo, seguindo fielmente a Constituição e esse correspondente Glenn Greenwald, do jornal inglês ‘The Guardian”, na conversa com Cristiane Amanpour, não faz nenhuma menção a isso tudo. E ele usa exatamente os mesmos argumentos da presidente, de Lula e do PT para criticar o processo que vive o país? Não é quase ultrajante? Vejamos o que deveria conter na análise dele, se profissional, equilibrada e séria, mesmo que ele emitisse sua opinião, o que não é crime.
Onde está o entendimento do TCU que aponta erros de afronta fiscal na gestão Dilma, do argumento jurídico de gente como Hélio Bicudo e Janaína Paschoal que embasam o pedido de impeachment?
E a posição eminetemente jurídica e pacificadora legalmente do STF? A longa discussão que se teve antes de tomar qualquer passo, para que o respeito à lei fosse integralmente preservado?
E a opinião da oposição?
E a opinião dos manifestantes pró-impeachment? Por que só mostrar uma moça de vermelho chorando? Qual a intenção de mostrar só um lado dos manifestantes, o menor e extremamente conduzido por movimentos sindicais aliados ao PT e ao governo?
E a opinião de vários outros setores da sociedade?
E uma opinião de outro acadêmico com opinião diversa a do professor da USP publicado no Times que chama o impeachment de golpe? Tem tantos acadêmicos e juristas respeitados e de universidades de ponta que pensam exatamente o contrário.
E a citação de que as escutas que revelaram a trama da presidente para tornar Lula ministro eram para ele escapar da Lava Jato?
E as acusações de estelionato eleitoral que aumentam a impopularidade da presidente? A tragédia administrativa?
E por que ele acha que pedaladas não são razão para impeachment se a legislação brasileira considera assim?
Quem ele é na análise séria de um país constitucional como o Brasil pra aderir à falida e mentirosa tese do golpe sem levar em conta todos esses outros aspectos?
O repórter Glenn Greenwald erra na cobertura, no tom, na análise e na forma.
Se o faz por convicções baseadas em desconhecimento, má fé ou arrogância, não sei.
Mas é um escândalo o tanto de erros de análise que comete.
Comprometeu a si, a âncora, o Guardian e a CNN.
Confesso que vou tomar ainda mais cuidado com a CNN e o Guardian quando assisitir ou ler sobre as coberturas de lugares que pouco conheço, conflitos no meio da África, por exemplo.
Se erram assim aqui nesse nível, imagino que possam errar lá também. E de lá será difícil ter outra fonte pra checar. Estão em suspeição.

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