Democracia automática?

Por Adalberto Piotto

O filósofo Roberto Romano diz no meu filme, o “Orgulho de Ser Brasileiro” (orgulhodoc.com.br), que não temos no Brasil o “automatismo da vida democrática”. E disse isso em 2012, nas filmagens do documentário.

Argumenta ele que tudo o que nos é de direito neste país, mesmo sendo “de direito”, já escrito e decidido, exige ainda do indivíduo um esforço dele e do grupo para que aquele direito lhe seja atendido, seja-lhe natural, previsto e automático. Não basta ser um direito, é sempre preciso insistir, lutar, brigar.

Ou seja, nada está pacificado e vive sob análises protelatórias.

Vimos ontem que nem o texto constitucional, no que ele tem de mais reto e direto, também sofre de intermináveis interpretações em detrimento de sua inalienável aplicação justa e célere.

O descalabro de ontem, de Renan, Lewandowski e a bancada de Dilma, com apoio de parte do PMDB, que fatiou o impeachment e a punição à presidente deposta, foi uma ofensa à Carta e aos cidadãos de bem.

Uma afronta à legalidade tão clara que deveria ter análise e correção automáticas pelo guardião da Constituição.

Com a palavra – e urgente – o Supremo Tribunal Federal.

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