A pretensão de generalizar a opinião pública

Os poucos que têm outras ideologias e não se prostituíram são pouco citados e não ganham a marca de oposição interna dentro da indústria cultural. São marginalizados porque se posicionam contrários a essa seita bolivariana e seus métodos, que domina o setor com petulância de discurso único e salvador.

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http://www.nytimes.com/2016/09/28/world/americas/brazilian-politics-smother-a-films-oscar-ambitions.html?mwrsm=Facebook&_r=0

Pedir desculpas dói? Mas é preciso e justo.

Por Adalberto Piotto
Que senso ou órgão interno falta a Nancy Armour, do USA Today, pra reconhecer que errou ao se precipitar e julgar o caso com o preconceito dos esnobes? E pra se desculpar?
O arremedo de artigo pretensamente sociológico que ela escreve sobre o ato irresponsável dos nadadores norte-americanos no Rio de Janeiro, em que relata a violência na cidade, a violência policial, o estado de sítio das favelas e a ausência de investigação de muitos crimes, teria algum valor não fosse apenas pra encobrir sua incapacidade de dizer “eu errei, me desculpem”. Erros publicados em sua coluna anterior em que ela diminuía o ato da mentira e da falsa comunicação de crime pelos atletas.
Com todas as deficiências da segurança pública no Brasil, em especial no Rio, neste caso, conhecidas e reclamadas pelos brasileiros, a polícia carioca só acertou neste caso ao investigar a fundo a denúncia de “assalto à mão armada por falsos policiais”, uma mentira deslavada, como provado depois. 
Olhando apenas com olhos brasileiros, o caso nos prova que temos a fórmula pra fazer bem feito também “pra brasileiro ver”. Já escrevi sobre isso.
E uma coisa certa e outras mil erradas é muito melhor que mil e uma erradas. É um sinal de esperança até porque se está punindo com severidade a mentira e os mentirosos.
E punir mentira e desvios de conduta não é mais novidade neste país desde o Mensalão. A Lava Jato confirma a regra que se pretende fazer avançar por todos os cantos do país.
Os nadadores americanos, desmentidos pela polícia e pelos vídeos de vigilância, e desautorizados pelo próprio Comitê Olímpico Americano que, constrangido, se desculpou e já cogita puni-los, ofenderam os brasileiros e envergonham seu país.
Nancy Armour, blindada contra o bom senso, ainda acredita que é possível tapar o sol com a peneira.
Não no Rio 40 graus.
Não no Brasil tropical dos brasileiros que ela subestima.

De preconceito em preconceito, a imprensa – a internacional também – definha.

Por Adalberto Piotto
O caso dos nadadores americanos e a suspeita de falsa comunicação de crime ainda merece prudência. As investigações continuam, mesmo com vídeos e depoimentos comprometedores.
Prudência ao julgar nunca é demais.
Não é no que acredita, ao que parece, a colunista Nancy Armour, do USA Today, que abandonou o ceticismo jornalístico para apontar os dedos para a Polícia do Rio de Janeiro sem levar em conta esses fatos e vídeos que comprometem a versão dos seus conterrâneos.
Baseada em preconceito, que é o que de pior pode acontecer a um jornalista, ela toma lado dos nadadores de seu país em sua coluna acreditando na falácia de que o Brasil é o
Brasil e os americanos são americanos, claro que tomando pra si todas as virtudes, não sem antes jogar todos os defeitos para baixo da linha do Equador. Para ela, no simplismo de sua acusação ao Brasil baseado no “God bless America”, uma coisa é ruim naturalmente e outros são inocentes por natureza. E nada muda nunca.
Convenhamos que não é bem assim. O que a Justiça do Brasil e a polícia do Rio de Janeiro têm feito até aqui é executar seu trabalho de investigação e juntar provas.
Com uma eficiência que gostaríamos de ver sempre para todos os boletins de ocorrência made in Brasil, com ‘s”.
Mas não é por que a regra resvala com frequência no ruim que vamos punir a boa exceção.
A colunista Nancy Armour, ao punir o Rio de Janeiro e o Brasil – só porque são o Rio e o Brasil -, comete o mesmo erro de alguns colegas brasileiros que criticam os EUA só porque são os EUA. Simples assim.
O preconceito só não é apenas estúpido porque, como o nome diz, começa antes. É pior, portanto.
E um drama internacional que também fala inglês.
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/olimpiadas/rio2016/blog/brasil-visto-de-fora-na-olimpiada/post/colunista-americana-diz-que-e-irrelevante-se-assalto-nadadores-realmente-ocorreu.html

Terra de gente séria, sim, senhor!

Por Adalberto Piotto

O que se faz quando um rei e sua rainha vêm ao Brasil para os Jogos do Rio?
Abrem-se alas para Suas Majestades automaticamente?
Não.
A República tem soberania e compromissos maiores com o coletivo.
Somos diplomaticamente abertos, de paz, mas o país é guiado por regras sérias, nem sempre modificáveis.
Então, o que se passou momentos antes da abertura das Olimpíadas é o que se pode chamar de gente séria a serviço do Brasil.
Nada além disso.
Conto a seguir.
Excêntricos ou com desejos turísticos inusitados, o rei e a rainha da Bélgica queriam porque queriam ir à favela do Morro dos Macacos, no Rio.
Imagine o aparato que precisaria ser montado para garantir a segurança do casal e sua comitiva, diante da realidade carioca (que também é brasileira) e sob os Jogos Olímpicos com maior risco de atentados (por causa da realidade mundial) que já tivemos na história?
Desviar efetivos, mudar planos, atender a condições especiais em situações extremas, tudo de última hora, são elementos de um pesadelo para a segurança de qualquer lugar do mundo.
Se o Brasil um dia foi por demais condescendente com pedidos de autoridades estrangeiras – se é que foi, insisto -, não o é mais.
Por profissionalismo extremado, postura, competência, discernimento e autoridade nacional, de comprometimento com o coletivo, o general Sérgio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, disse não aos assessores dos reis belgas, mesmo sob o risco do incidente diplomático. E não parece ter ouvido pedido de “jeitinho” brasileiro pra atender os belgas ilustres de nenhum superior no governo. Sua decisão de especialista e autoridade prevaleceu.
Regras são regras e não se deve curvar-se às excentricidades nem de estrangeiros nem de autoridades locais. O Brasil também é assim, sério.
Planejamento e compromisso precisam ser seguidos.
Parabéns, general.

Ps : o meu post acima é baseado em notícia publicada na coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de São Paulo. Leia o extrato do jornal a seguir:

A rainha Matilde, da Bélgica, mantinha conversa animada com o primeiro-ministro da Itália. Mais cedo, ela e o marido, o rei Filipe, tinham dado enorme dor de cabeça à segurança dos jogos.

*

Eles queriam porque queriam visitar o Morro dos Macacos, no Rio. A diplomacia belga ameaçou criar um incidente diplomático. “Eu vou desviar câmeras de vigilância, efetivos, só porque o rei quer ir no morro?”, questionava o general Sérgio Etchegoyen, da Segurança Institucional. Suas majestades, enfim, se curvaram à dura realidade.”

Os egocêntricos do Império Britânico saíram das tumbas

Por Adalberto Piotto

Nada poderia ser pior. Nenhum sinal ao mundo poderia ser pior. Nenhum gesto revelaria mais descomprometimento com o senso de pertencimento internacional do que o Brexit, o neologismo em inglês da fusão das palavras “Britain” e “exit”, saída Britânica do bloco europeu, que soa engraçadinha, mas com conteúdo ordinário na sua pretensão de se imaginar uma ilha não só geográfica, mas humana.

Num mundo em que o separatismo deu errado e que as tentativas de união, de multilateralismo, de concepção humanista, de volta à lógica de se ver como uma única espécie humana, solavancam ante as vaidades e absurdos culturais, o ato britânico de se separar por razões econômicas, mesmo com privilégios que deteve, como manter sua moeda, resgata o período de disputa entre os europeus pelo novo mundo. Naquele momento, o objetivo era avançar divisas, conquistar riquezas e espraiar influência, como seu viu em relação às Américas e à Asia, a partir do final do século 15.

Muito tempo depois, vítima de um inimigo comum e com divisas internas mais bem resolvidas, voltou a se irmanar pelo bem comum na Segunda Guerra Mundial.

A dissolução de princípios humanos pela prepotência do Nazismo fez os de bem se juntarem pela França, pela Polônia, pela Europa, pelos próprios ingleses que, não tivessem a ajuda do mundo, principalmente dos EUA, teriam sucumbido à sanha autoritária e expansionista de Hitler que queria fazer da Europa a sua ilha geopolítica.

O que Winston Churchill diria do voto separatista, algo mesquinho, egoísta, dos seus compatriotas hoje? Que neste momento de suposta perda de bem-estar social da ilha europeia, o medo de dividir com o mundo o que antes já foi dele, a solidariedade e a compreensão coletiva não merecem mais “sangue, suor e lágrimas” ingleses?

O Império Britânico de outrora não se tornou império sem explorar sangue, suor e lágrimas de nações e colonizar parte do mundo aos qual ele dá as costas agora na sua insegurança de ilha. Nem rico seria, se dependesse apenas de suas terras e climas avessos a um “bem-estar climático”. O museu britânico, uma das joias da história do planeta, deveria se chamar museu do mundo. Não existiria se todas as peças e obras dos gregos, egípcios, romanos, indianos, orientais, americanos e toda sorte de arte e vestígios da humanidade, encontrados além do Canal da Mancha, não tivessem sido, segundo evidências e, assumem alguns poucos britânicos, pilhada de seus donos derrotados pelo imenso poder dos reis ingleses.

O Reino Unido se imagina melhor só, fora de obrigações e deveres com a comunidade a qual sempre pertenceu, guerreou contra e a favor, com os valores que mais ou menos nos nortearam até o século 20.

Mas em pleno século 21 abandonar a lógica do multilateralismo, da comunhão, da tentativa de reparar erros e buscar acertos coletivos?

Não por isso, a sapiência da maioria dos filósofos, que ainda nos guia e conceitua o mundo, pertenceu muito pouco à ilha que se avista de Calais.

Londres, multicultural, cosmopolita, multitudo, haverá de ser menos capital do mundo que antes. Uma pena.

Que Deus abençoe os ingleses sãos, os coletivistas, pouco mais de 48 por cento que votaram por permanecer na União Europeia. É deles que o mundo e o Reino Unido vão precisar.