“Orgulho” será exibido em Harvard e Columbia

 

“Orgulho de Ser Brasileiro” projeta o Brasil nos Estados Unidos

Documentário dirigido pelo jornalista Adalberto Piotto será exibido dia 27 de outubro, na Harvard University, em Cambridge, Massachussets; e no dia 29, na Columbia University, em Nova York.

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Por Wagner Sturion, especial para o portal Homo Sapiens

Quais motivos você tem para se orgulhar do Brasil? O bom brasileiro não consegue enumerá-los. Sequer descrevê-los. Orgulho é algo que preenche o peito de tal satisfação que se ela não for expressa é capaz de explodir emoções. O brado retumbante de um povo heroico retrata o gigante pela própria natureza, a pátria amada e seus raios fúlgidos, a terra adorada entre outras mil, no filme sempre atual do jornalista e cineasta Adalberto Piotto, “Orgulho de Ser Brasileiro”, que agora será exibido em duas das mais importantes universidades do mundo: dia 27 de outubro, na Harvard University, em Cambridge, Massachussets; e no dia 29, na Columbia University, em Nova York.

Os convites ao diretor foram feitos pelo cientista político e pesquisador de Harvard, Hussein Kalout, e do mestrando da Escola de Mestrado de Columbia, Marcello Bonatto.  De acordo com Kalout, “o documentário explora com perspicácia as raízes idiossincráticas do vívido sentimento da identidade nacional Brasileira. Trata-se, indubitavelmente, de um verdadeiro resgate do Brasil de contrastes. É um documentário marcante, intenso e brilhante”.

“Orgulho de Ser Brasileiro” provoca o espectador com a sua narrativa dinâmica. A reflexão é praticamente simultânea. Impossível não concordar, discordar, torcer e se retorcer na cadeira com algumas opiniões.   A fotografia conceitual explora vários ângulos dos entrevistados e deixa os depoimentos ainda mais instigantes. Permeado por trechos do hino nacional,  interpretado por Badi Assad, impossível não se emocionar e cantar mesmo que mentalmente a  nossa principal riqueza, o Hino Nacional. “Um filme que reitera o que temos de nos orgulhar e expõe o que temos de corrigir”, segundo o diretor.

Para quem ainda não assistiu, o documentário discute o sentimento envolto na mais emblemática frase que se ouve no País – e que dá título ao filme –  a partir dos depoimentos de cidadãos que se orgulham de sua nacionalidade brasileira como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o artista plástico Romero Britto, o técnico da seleção brasileira na Copa de 94 Carlos Alberto Parreira, a geneticista Mayana Zatz, a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva, o dramaturgo Gerald Thomas, os músicos Simoninha e Max de Castro, o filósofo Roberto Romano, entre outros.

Na opinião de Bonatto, da Columbia University, em tempos conturbados, o documentário cumpre um papel importante: o de engajar o espectador em um debate sobre o sentimento de ser brasileiro e sobre o que desejamos para o nosso País. “’Orgulho de Ser Brasileiro’ é um filme que incomoda porque traz à tona os paradoxos que fazem parte da identidade brasileira. Piotto conduz uma narrativa que revela as contradições de nossa sociedade. Do escritor da periferia ao ex-presidente da República, os personagens constroem a sua própria ideia de Brasil. Ao espectador, cabe concordar ou discordar. Mas, sobretudo, deve-se aceitar a provocação. Para o brasileiro, ser é não ser. Corrupto é sempre o outro. Se queremos transformar o País, precisamos tomar um passo gigante em direção à cidadania plena. Para tanto, o brasileiro precisa cobrar de si o que cobra do outro. Lançado em 2013, ‘Orgulho de Ser Brasileiro’ continua atual e busca em cada brasileiro a resposta para fazer do Brasil um País melhor.”

Mais sobre o filme

O “Orgulho de Ser Brasileiro” foi lançado em 2013 e reúne 15 entrevistados num dos mais inovadores e ousados filmes sobre o Brasil e sua sociedade. Já foi exibido em várias cidades e capitais brasileiras, selecionado para a mostra principal do Cine PE, das exibições e eventos do Focus Brasil em Fort Lauderdale, Londres, Hamamatsu e Oslo.

Também faz parte do acervo do King’s College London, em Londres, onde foi exibido em plena Copa do Mundo de 2014, do acervo do MIS de São Paulo, da Cinemateca e teve quase 3 mil DVDs distribuídos gratuitamente a escolas, universidades, sindicatos e institutos de estudo do Brasil e do exterior como contrapartida espontânea do diretor Adalberto Piotto.

O filme, que ficou em cartaz durante um ano no NetFlix , está disponível no Brasil nas plataformas on demand do NOW, da Net, e da locadora virtual LOOKE (looke.com.br).

O Orgulho de Ser Brasileiro é um filme independente cuja carreira internacional chama a atenção. É provocador e rompe com as estéticas habituais dos filmes do cinema nacional que discutem o Brasil. Não por isso, chama a atenção de pensadores aqui e fora do país.

  Depoimentos sobre o filme Orgulho de Ser Brasileiro

(Acadêmicos brasileiros e estrangeiros e críticos)

  Hussein Kalout – Cientista Político e Pesquisador da Universidade Harvard.

O documentário do jornalista Adalberto Piotto explora com perspicácia as raízes idiossincráticas do vívido sentimento da identidade nacional Brasileira. Trata-se, indubitavelmente, de um verdadeiro resgate do Brasil de contrastes. É um documentário, marcante, intenso e brilhante.”  

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Marcello Bonatto, escola de mestrado em política na Columbia University

Em tempos conturbados, o documentário produzido por Adalberto Piotto cumpre um papel importante: engaja o espectador em um debate sobre o sentimento de ser brasileiro e sobre o que desejamos para o nosso país. “Orgulho de Ser Brasileiro” é um filme que incomoda porque traz à tona os paradoxos que fazem parte da identidade brasileira. Piotto conduz uma narrativa que revela as contradições de nossa sociedade. Do escritor da periferia ao ex-presidente da República, os personagens constroem a sua própria ideia de Brasil. Ao espectador, cabe concordar ou discordar. Mas, sobretudo, deve-se aceitar a provocação. Para o brasileiro, ser é não ser. Corrupto é sempre o outro. Se queremos transformar o país, precisamos tomar um passo gigante em direção à cidadania plena. Para tanto, o brasileiro precisa cobrar de si o que cobra do outro. Lançado em 2013, “Orgulho de Ser Brasileiro” continua atual e busca em cada brasileiro a resposta para fazer do Brasil um país melhor.

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Marcos Petrucelli, crítico de Cinema, Rádio CBN

“Em algum momento da minha vida, caso o jornalista e cineasta Adalberto Piotto me perguntasse “Você tem orgulho de ser brasileiro?”, muito provavelmente eu não saberia responder de forma direta. Num passado não muito distante, havia coisas e situações que me motivavam a ter esse orgulho. Outras não. Hoje, no entanto, eu teria mais firmeza na resposta. Assim como posso afirmar que orgulho, mesmo, é saber que ao menos algumas mentes brasileiras, como a de Adalberto Piotto, foi capaz de ousar na pergunta, na forma e na estética para realizar o doc “O Orgulho de ser Brasileiro”. Além de um exercício do bom e velho jornalismo levado a sério, Piotto nos entrega um filme capaz de nos fazer refletir e colocar em discussão tudo aquilo que já fomos, somos e ainda podemos sonhar em ser enquanto cidadãos desse gigante chamado Brasil.”

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Roberto Romano, filósofo, professor de Ética Política da Unicamp

“O filme Orgulho de ser brasileiro põe as consciências diante de uma polissemia estratégica. Sempre que se fala em “orgulho” ligado a um país, se espera uma catarata de nacionalismos, sectarismos,patriotismos baratos. O título dado por Adalberto Piotto desengana quem segue as trilhas da propaganda, governamental ou social. Com análises sóbrias de pessoas empenhadas nos variados setores da cultura, o filme expõe problemas e indica soluções, longe das receitas partidárias e dogmáticas que entravam a compreensão de um povo. A obra vale como documento e análise, serve para quem deseja conhecer o Brasil de ontem, de hoje e de amanhã”.

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Roberto Damatta, antropólogo e escritor

Eis um depoimento que dou com muito gosto:

 “Eis uma reflexão sobre o Brasil que, além de reunir muitas vozes, traduz uma visão clara, honesta e esperançosa de um país com suas contradições e denominadores comuns. Vale ser visto e discutido.   

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Russell Landsbury, University of Sydney Business School Emeritus Professor, Australia

‘The Pride of Being Brazilian’ is highly recommended to be seen by everyone with an interest in Brazil.  Adalberto Piotto has directed a superb film which features a wide range of influential Brazilians from different walks of life and provides great insight into this dynamic and vibrant nation

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Marcos Santuário, Jornalista, crítico de cinema e editor de Cultura do Jornal Correio do Povo, Porto Alegre. Coordenador da pós graduação em jornalismo da Universidade Feevale. 

Foi na tela grande que vi pela primeira vez o trabalho lúcido e corajoso do jornalista Adalberto Piotto em “Orgulho de Ser Brasileiro”. Com ritmo e intensidade, sua narrativa dá voz a pensamentos e sentimentos que ajudam a tecer uma maior compreensão do emaranhado e maravilhoso universo de nossa identidade e nossa cultura… Mais do que competente jornalista, Piotto se apropria com talento dos recursos do audiovisual para provocar, instigar e refletir, criando documento para a história contemporânea...

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Cláudio Lacerda, professor da Universidade de Pernambuco, cirurgião

“Orgulho de Ser Brasileiro” revela com maestria as virtudes de uma nação singular. Uma obra edificante”.

Forte abraço, Piotto.

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Professor Anthony Pereira Director, King’s Brazil Institute, King’s College London

It was a pleasure to exhibit your film “Orgulho de Ser Brasileiro” at the Brazil Institute and to hear your answers to the many questions from members of the audience. The event was very interesting, and of obvious value to the King’s community and the general public. Thank you for donating a copy of the film to the Brazil Institute. The DVD is now in the film archive that we make available to our students. The film will be an invaluable resource to our master’s and PhD students.

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Leandro Fraga, professor Fia-USP.

Assisti ontem ao “Orgulho de Ser Brasileiro”, documentário realizado pelo jornalista Adalberto Piotto. O filme faz um mosaico, constrói um tecido delicadamente entrelaçado das opiniões de 16 entrevistados, personalidades de diversas áreas, brasileiros por nascimento ou opção, morando no país de origem ou fora dele. Embora o peso e a consistência das opiniões varie, até em função da própria experiência de vida de cada entrevistado, o filme já cumpriria bem o seu papel original de provocar um debate sobre o que é ser brasileiro, sobre o que somos e podemos vir a ser. Mas, hoje, não. Muito além disso, o que mais chama a atenção é o caráter quase premonitório de alguns trechos dos depoimentos. Iniciado em 2012 e terminado no primeiro trimestre de 2013, estão recolhidas ali falas que chegam a espantar, tamanha a sua sintonia com o que ocorre nas últimas semanas. Ouvem-se comentários sobre o acordar iminente do “Gigante Adormecido”; sobre as camadas de emergentes econômicos que haverão de querer mais que isso; sobre o que seria se “os 150 milhões de menos favorecidos fossem às ruas”; sobre a nossa eventual incapacidade de lidar com o cenário político vigente por mais tempo; sobre ética e serviços públicos. É, enfim, um documento atestando o quanto já sabíamos – talvez sem a exata consciência disso – de que algo estava sendo gestado na nossa sociedade. A conclusão a que cheguei foi que o “Orgulho de Ser Brasileiro” fala mais sobre o futuro do que possivelmente se podia imaginar no seu início. E, também, do quanto este debate – hoje agudo, porém menos intenso e qualificado do que poderia – precisa continuar e se aprofundar para levar às mudanças que tantos de nós afirmam querer.

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Luciano Pires

Palestrante e editor do Café Brasil

Assisti ao documentário Orgulho de Ser Brasileior ontem e é impossível permanecer inerte diante das opiniões das várias pessoas entrevistadas e das opiniões manifestadas. Saí da sessão triste, feliz, com raiva, motivado, arrasado, provocado e profundamente incomodado. E isso é muito bom.

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Orgulho de Ser Brasileiro, 2013

Gênero: Documentário

Produção: Piotto Produções

Direção: Adalberto Piotto

Longa-metragem: 87 minutos

Site: www.orgulhodoc.com.br

Facebook: /Orgulhodeserbrasileirodocumentario

 

Da boa educação brasileira e latinoamericana

Sabe aquele comportamento autodestrutivo da média dos brasileiros? Aquele de quando vêem alguma barbaridade ou falta de educação em qualquer lugar do mundo logo dizem: “deve ser coisa de brasileiro”, punindo todos os seus nacionais, seus conterrâneos imediatamente?

Uma reportagem do Jornal Zero Hora mostra que a falta de educação, o desrespeito e o vandalismo não tem identidade nacional. É internacional, o que não nos redime de nossos vândalos tupiniquins, de vasto histórico nos parques da Disney, mas amplia o horizonte da culpa, da autoria anticidadã. Eu prefiro dizer que vândalo e mal educado tem pessoalidade, nome e sobrenome e, sim, nacionalidade singular, a dele, só dele e para ele.

O artigo cita que turistas na Europa e na Ásia, em nome da fama efêmera nas redes sociais, estão vandalizando até obras e esculturas históricas e de valor imenso da humanidade pra fazer uma selfie que vai viralizar entre os milhões de tolos, independentemente da nacionalidade, que curtem outros idiotas.

Mas volto a minha pergunta inicial, sobre essa mania brasileira de se autodestruir, achando que a culpa do errado do mundo é coisa de brasileiro.

Brasileiros que pensam assim, que falem por si. Mal educados e vândalos têm nome e sobrenome, já disse. A nacionalidade deles é um detalhe que não pode ser solidarizada e viralizada.

Conto um caso recente.

No começo de julho, estive com minha família em Nova York. No penúltimo dia de viagem, num cruzamento da Quinta Avenida, paramos no semáforo vermelho dos pedestres. Foi quando avistei uma casca de banana inteira, virada pra baixo em cima da faixa de segurança, um pouco à minha esquerda. Parecia uma cena clássica de anedota, de cartum ou daqueles desenhos dos livros escolares de exemplos de má educação e perigo. Visualizaram a cena?

Pois bem. Mostrei aos meus filhos e, aproveitando o sinal fechado, fui lá, peguei a casca e tão logo com o sinal aberto atravessamos todos os que estavam ali em segurança e pude enfim por a casca na primeira lixeira do outro lado da rua.

Com as crianças e minha mulher comentamos o fato e especulamos o que teria causado aquilo. Falta de educação ou um ato despercebido? Julgar neste caso em definitivo, embora pareça simples, pode ser muito injusto.

Talvez um estúpido tenha simplesmente jogado a casca de banana no chão. Talvez tenha caído de alguém que pretendia jogá-la na lixeira e não percebeu o deslize.

Como disse, só especulamos. E seguimos no nosso passeio.

No dia seguinte, meus filhos, crianças ainda, foram contar a outro brasileiro, residente nos EUA e que presta serviços a turistas, o caso que tinham presenciado.

Ao relatar a história até o momento que viram a casca de banana sobre a faixa de pedestres, já logo ouviram deste outro brasileiro a sentença: “só pode ser coisa de brasileiro”, com toda essa mania e prejulgamento que reclamei no início do texto. E complementou com seu âmago cucaracha: “isso é coisa de brasileiro ou de latino”, referindo-se aos hispânicos, em grande número em Nova York e em todos os Estados Unidos.

Foi quando contamos a ele o desfecho da história. Se ele não tinha certeza se realmente um brasileiro tinha jogado a casca de banana na rua, nos tínhamos certeza que um latinoamericano brasileiro é quem tinha pegado a casca na rua e a colocado na lixeira, evitando um acidente e contribuído para a limpeza de Nova York, preocupado com o coletivo, seja que coletivo for.

Um silêncio constrangido foi notado de nosso conterrâneo precipitado.

Peço ao leitor deste relato que não ponha demasiado foco na minha atitude. Eu me orgulho dela, mas se trata apenas de uma obrigação de cidadão, não requer nada além de uma satisfação do outro que a vê.

O foco desse meu relato é nessa mania autodestrutiva e automática da média dos brasileiros de se culparem pela maior parte da falta de educação de turistas pelo mundo. Reclamo dessa mania autodestrutiva desses brasileiros que, de forma temerária, comprometem todos os brasileiros.

Que falem apenas por si, pelos seus, pela sua má educação, preconceito ou sentimento de inferioridade. Não o por mim, por todos os brasileiros e pelo Brasil.

Estou cansado de generalizações mal informadas.

Que o nosso país em si é maltrado e a média joga lixo na rua é um fato do qual reclamo e já escrevi várias vezes. E que não se culpem os macacos dessa vez. Eles estão no zoológico ou nas florestas agora.

Mas generalizar o comportamento brasileiro aqui ou no exterior, comprometendo a nacionalidade brasileira, é de uma estupidez atroz para a qual não terão minha solidariedade. Pelo contrário, combaterei isso.

Leia o texto no link. Vale a pena.

Vale mais ainda fazer parte do grupo de cidadãos, brasileiros ou não, comprometidos com a humanidade e o planeta.

Continência civil aos militares

Não acredito que estão fazendo polêmica com o fato de atletas brasileiros militares estarem prestando continência na hora do Hino Nacional nos jogos Panamericanos.

Por várias razões. Se são militares, esta é a forma de saudação à bandeira e ao hino.

E militares também são a sociedade brasileira, se é que alguém não sabia, aliás, de relevantes serviços prestados ao país.

E se estão prestando continência com o hino sendo tocado numa cerimônia de premiação é porque são vitoriosos e medalhistas.

Estão trazendo orgulho ao Brasil e aos brasileiros.

Todos.

Não entender isso é ignorância conveniente ou estúpida. Mas continua sendo ignorância.

O episódio do golpe e da ditadura, que ainda merece ser discutido em outros campos, não pode ser muleta neste caso para esses críticos inflamarem falsas polêmicas baseadas em bobagens e desinformações de suposto separatismo entre civis e militares.

Já chega o pretenso separatismo social criado por espertos e maniqueístas para ganhar eleições.

Aliás, que joguem a muleta fora e comecem a andar de novo tentando, espero consigam, se apoiar em novos, arejados e inteligentes argumentos porque o país tem muitos outros problemas que requerem iminente solução.

Vivemos numa democracia, os militares são servidores do país e o fazem com orgulho e não querem voltar ao poder porque são comprometidos com o Estado Democrático de Direito.

Os lunáticos que defendem isso falam apenas de e com seus egos.

Os militares, atletas ou não, são parte inalienável da sociedade deste país que não pode abrir mão de sua importância, cooperação, conhecimento e poder de defesa.

Deveriam seus compatriotas valorizá-los, compreender melhor a história e olhar para o futuro.

É de expectativa de futuro e de trabalho que estamos precisando.

A Rede Lobo e as “ParaLimpíadas”

Ontem, assisitindo à Globo News, das poucas coisas que paro pra ver em jornalismo na TV, vi os colegas grafando e falando “Paralímpicos” em vez do “ParaOlímpicos” com um grato “o” garantindo a integridade da palavra e da língua portuguesa, a “bela”, parafraseando, em parte, meu caro professor Pasquale Cipro Neto.

De pronto, mesmo já sabendo da polêmica e da rendição, postei o seguinte na minha “timeline” do Facebook:
“ParaLímpicas” no lugar de “ParaOlímpicas” é de doer os ouvidos, Globonews!!!

Não combina com vocês esse atentado sonoro.”

Fiz o que fiz apenas porque a sonoridade é horrível, porque sou um inveterado amante da língua portuguesa, mesmo a traindo vez ou outra com indejáveis erros, porque se trata de dama difícil, o que só faz aumentar a minha atração, e, sim, porque creio realmente no que escrevi. A Globo News não merece o equívoco de interpretação da língua. É culta e charmosa o suficiente para não correr pelos campos pantanosos da aculturação e do entreguismo linguístico.

Não demorou e tive grande e qualificada repercussão para tema tão rebuscado. E foi a grafia, a língua de Camões, a emblemática disputa entre estrangeirismos e afins, o que chamou a atenção de todos, não a polêmica fácil da crítica a qualquer coisa da TV Globo.

Se o Facebook é um campo aberto, inclusive para o besteirol, os meus amigos caminham em sentido contrário.

Volto ao fato em si, mesmo há muito não sendo mais um purista.

Pela repercussão e os comentários, li e dei-me à pesquisa, lembrei-me e revi coisas das quais já tinha tido contato para não fugir da conclusão que o Comitê Olímpico Brasileiro tinha aderido ao estrangeirismo puro, sem pestanejar, do original que grafa em inglês o “Paralympics”. Em inglês, convenhamos, também um horror, visto que o gênio de lá deve ter aprendido em algum momento da vida que os jogos são “Olympics” e, mesmo que “Paralympics”, não precisam ter nada a menos que o original. Se visse o autor da ideia, diria: “Paralympic is not a disable game. On the contrary. It is a special and full of pride game because all players are so braves”.

No entanto, todavia, contudo, entretanto, não me aventurarei em corrigir os ingleses. Volto ao caso abaixo dos trópicos com os “Jogos do Rio 2016”.
“Você está certo”, disse ao caro amigo de Face Celso Arnaldo Araujo​, que rapidamente me enviou as logomarcas oficiais com as grafias sem “o” para me dar os motivos reais de o porquê de toda aquela falação sem “o”.

Compreendendo o fato, da capitulação do COB ao COI nos moldes da CBF à FIFA, não me furtei em argumentar que a adoção por órgão oficial não obriga jornalista a falar tal como. Até o incita a discutir, divergir. Compreendo a dor que pode causar em alguns colegas jornalistas que trabalham na emissora porque se a Globo comercial é detentora dos direitos, tem obrigações também. Não sei se inclui isso, de fazer o próprio jornalismo se dar ao atentatdo linguístico, mas compreendo.

Todavia, me pergunto sobre a integridade da língua portuguesa. E aquela instituição que deveria agir intensamente na defesa da língua que é a ABL, também conhecida como Academia Brasileira de Letras, a do chá das cinco?

O que diz?

Aliás, diz algo?

E o governo brasileiro?

Li também que os portugueses, os de Portugal, teriam se rendido ao formato do breve e impensado aportuguesamento do termo em inglês.

Com muitos amigos portugueses, alertado por um deles inclusive que se juntou a mim, pergunto: e o Brasil com mais de 200 milhões de falantes precisa perguntar à Coroa como deve falar e escrever sua língua? Talvez or portugueses estejam esperando da imensa e poderosa colônia que ponha o “pau-brasil” na mesa e tome posição em defesa da língua de Machado de Assis.

Enfim, depois dos 40 anos (43, confesso), produtor e diretor independente de filmes, séries, entrevistas e artigos sobre este país e seu povo, como é meu caso, posso firmar convicções. É verdade que, mesmo quando funcionário de uma empresa do grupo, nunca abri mão do meu livre arbítrio, o que me custou caro, mas libertou-me a consciência para sempre.

Fato é que eu vou continuar falando e escrevendo “ParaOlímpicos” com a letra “o” intermediando o bom senso da junção de duas palavras.

E questionar a adoção acéfala pelo comitê desse estrangeirismo sem sentido.

Até porque os mesmos deslumbrados do COB que cederam agora não demorariam a mudar a grafia se o COI o fizesse. Sem pensar. Como praxe.

Deculpem-me, mas isso é comportamento vira-lata demais por meu gosto.

Ps.: a grafia “Rede Lobo” sem o ‘G” em maiúsculo foi apenas trocadilho gráfico que não pude evitar. Que a Globo siga seu caminho.