Vinhos do começo ao fim

Note: este texto foi originalmente publicado em revista especializada em 2009. Trata-se de um dos artigos da minha antiga coluna sobre gastronomia e vinhos.

Vinhos do começo ao fim: uma refeição em três tempos
E como esta coluna é sobre vinhos – porque minha vizinha colunista Guta Chavez já o faz por excelência em falar de comida – volto ao tema de abusar em propor três vinhos na mesma refeição, sem cometer exageros. E não falo aqui em três ou quatro garrafas. Disse vinhos, que fique claro, por favor, para que não haja um excesso de álcool no seu organismo.
Na minha coluna de estréia, na edição passada de Gourmet & Food Service, falei sobre a necessidade de se ter mais serviço de vinhos em taça nos bares e restaurantes. Há hoje um fenômeno do Bag in Box, o qual já citei e não é o caso de retomá-lo. Mas me pergunto por que nos bons restaurantes brasileiros (independentemente do preço do cardápio) não se oferece a entrada, prato principal e sobremesa já com vinhos para cada uma das fases da refeição. E nada de exagero que possa comprometer a saúde do cliente nem o caixa do estabelecimento. Mas se houver venda em escala, o preço seria bem acessível, se contida a cobiça de quem vende o vinho. Lembre-se que os últimos a esbanjarem cobiça provocaram a atual crise econômica.

Mas voltando à mesa, a maior parte das saladas ficaria muito melhor com meia taça de branco, seja ele um Chardonnay, um Sauvignon Blanc, um Resling ou outra branca como a espanhola Viúra, extremamente gastronômica. Depende muito dos ingredientes e, sobretudo, do molho. Já antecipo que Chardonnays com madeira e Viúras gostam de molho de iorgute.

No prato principal, como a maior parte tem no prato um grelhado acompanhado de arroz e feijão, batatas, purês ou massa, a imensidão de tintos para harmonizar é quase incontável. Mas arroz e feijão saem-se bem, assim como o grelhado, com tannat uruguaio e cabernet sauvignon de custo-benefício brasileiro.

Por fim, por que não um cálice de um vinho de sobremesa (alguns nacionais custam pouco e são muito bons) para acompanhar aquelas tortas de bufê ou mesmo a maioria das sobremesas à la carte?

O café só faria encerrar tudo em grande estilo num exemplo de slow food do dia a dia, sem comprometer a tarde de trabalho.

Fato é que é preciso criatividade para fazer desse segmento, o de refeição fora do lar, que só faz crescer ficar igualmente diferenciado porque sugere prazer, apesar do corre-corre e das pressões cotidianas. E se alguém achar que o almoço não comporta uma combinação de três vinhos, mesmo em doses quase homeopáticas, por que não oferecer ao cliente essa opção de bom custo e elevado prazer no jantar e nos finais de semana.

Come-se fora de casa quase todo dia, á toda hora. O que se faz necessário é oferecer qualidade e satisfação todos os dias e em todas as horas.

Falamo-nos.