O Brasil dos brasileiros

Por Adalberto Piotto

Li há pouco um post sobre os EUA sob Trump, o quanto deixou de ser parte do mundo porque para o seu presidente tudo é “América First”.
A crítica, com a qual concordo, é que os EUA erram ao abandonar acordos internacionais de clima, refugiados ou de qualquer concertação internacional.
Até aí, sigo o redator. Ou redatores, afinal essa é uma tese de vários analistas atentos do mundo inteiro que veem os Estados Unidos se apequenando com a política de isolacionismo arrogante da atual Washington.
Na parte de comentários, um leitor pergunta “e o Brasil?”.
A resposta do redator e analista brasileiro:
“O Brasil nunca foi um grande país’
Tenho confrontado esse pensamento e seus autores há muito porque discordo com veemência. Isso não é novidade para os leitores que me dão sua atenção.
O Brasil que chegou até aqui, fruto de seu passado, é muito melhor que seu presente, o que deveria ofender os contemporâneos e suas análises que desprezam a história e fazem de seu tempo um tempo menor.
Na parte de comentários, postei a seguinte resposta:
“Sem incorrer em comparações, o Brasil tem sido um país de acolha desde seus primórdios. Erra por dentro, mas não se esquiva nem se contrapõe aos acordos internacionais. Uma ou outra exceção, talvez. Mas há uma grandiosidade neste país que, apesar de suas ineficiências, não separa nem exclui por princípio, apesar de seus passivos sociais que não serão corrigidos sob o exemplo americano. O confronto recente, fruto de radicalismos nos últimos tempos, é mais cópia americana que nossa original maneira de ser. Temos mais talento pra juntar que separar, proteger que abandonar. Nosso drama é de ineficiência social interna, o que ofusca nossos êxitos, nunca de autoafirmação contra os outros, como os EUA de Trump. Isso é grandioso, reconheça-se. Creio que somos, sim, um grande país apequenado por grande parte dos seus e suas ineficiências.”
Em suma, o caso brasileiro é de ineficiência, nunca de filosofia segregacionista. Nossas diferenças não resistem a um churrasco e a uma pelada de futebol.
E essa ineficiência é a presente, de agora, dos atuais brasileiros. A correção está ao alcance das mãos, apesar de difícil e do longo tempo de reparo.
Não reconhecer nossos acertos num mundo dividido é um tiro no pé.

Dor de opinar

Por Adalberto Piotto.

A liberdade de expressão passa por maus momentos no Brasil.
Primeiro, foi confundida com imposição violenta de opinião das exposições controversas recentes e na consequente e virulenta reação que se viu. Imposição de ação ou reação não é liberdade. Embora uma só exista depois da outra, o que, pra ser justo, deveriam ter medidas diferentes na interpretação.
Ali, uma provocação desmedida gerou a reação que gerou.
No evento, eu faço menção à liberdade de expressão no seu sentido clássico, de abertura ao debate.
Qualquer defesa de um ponto de vista discordante do pretenso politicamente correto, da turma da preguiça do pensar, mesmo que você se esmeire em explicar, colocar outros pontos de vista pra aumentar e diversificar o debate real, não adianta. Rotulam você de contrário e pronto. Tornam você um inimigo abatido pelo rotulês impositivo e violento deles às liberdades, inclusive as de expressão.

Que ganho, que avanço ou evolução há nisso?

O politicamente correto é uma ditadura sanguinária por não se permitir ao debate dos discordantes e atacar com virulência desproporcional o contraditório. Mesmo que este esteja apenas querendo resolver o problema na sua origem porque não se contenta com o analgésico da aparente solidariedade da maioria que abraça o politicamente correto.

Ao querer eliminar o contrário, o que pensa por outro ângulo, destrói-se a possibilidade de discussão que, não raro, é o que transforma, convence e faz a sociedade progredir.

Eu prefiro os que se expõem, que se abrem ao debate. Desde que com argumentos e de forma civilizada, mesmo que por vezes com um ou outro ponto de radicalismo, de exacerbação, eu os prefiro. Defendo-os, até.

Tenho receio dos silentes pelo politicamente correto. É neles que o preconceito, de todo tipo, não se resolve e que costuma vir a maioria dos votos que elege os canalhas que achincalham a política e atrasam o país.

O diverso, o complexo e o desonesto

Por Adalberto Piotto

Somos um país, uma sociedade, que evoluiu do diverso para o complexo e que resolveu se assumir, tomar conta de si. Um avanço notório.
Não me assusta, portanto, os recentes e acalorados embates entre grupos com visões diferentes.
Fosse só assim, já não seria fácil a compreensão e a convivência no nosso tempo.
Mas estamos sendo atacados pela desonestidade intelectual de grupos que só ensejam formar tribos para seus propósitos de dominação. Sob o argumento da demência social do famigerado e maldoso “nós contra eles”, o debate tem se tornado uma disputa, uma guerra tresloucada de inocentes úteis sob o comando de canalhas desonestos.
Estamos sendo atacados pela desonestidade intelectual de grupos que só ensejam formar tribos para seus propósitos de dominação sem nenhum outro objetivo maior. Sob o argumento da demência social do famigerado e maldoso “nós contra eles”, o debate tem se tornado uma disputa, uma guerra tresloucada de inocentes úteis sob o comando de canalhas desonestos.
Eu estudei convictamente Gandhi, Mandela, João Paulo II, Betinho e Rui Barbosa. E vivo sob Merkel e Obama. Manterei-me na linha da generosidade, da tolerância, da defesa das liberdades e da honestidade intelectual.
Vou me opor acintosamente aos que tentam fraudar a humanidade e a civilização que nela se instalou.