Mimimi internacional

Por Adalberto Piotto

Ninguém de bom senso, que não seja um vaidoso de suas opiniões, mesmo que desconexas com a realidade, embora próprias, ou que esteja a serviço de sabotadores da sagrada institucionalização do país, porque contrariados com a perda do poder, acredita nessa balela de “golpe”.
Dilma deixou o país na quinta-feira para ir à ONU. Fez discurso na sexta e volta ao Brasil no sábado. Volta e reassume, diga-se. Que raio de golpe tupiniquim é esse que a presidente sai e volta por conta própria sem ninguém a lhe afrontar o direito de ir e vir?
Vamos parar com essas bobagens, com a perda de tempo do golpe que não existe, e seguir pra retomar a vida?
O país “ganhou” na última quarta-feira o índice de mais de 10% de desemprego oficial. As contas governamentais, por pedaladas e contabilidades criativas, razão do impeachment, estão no caminho da insolvência. Há uma crise de falta de perspectiva em investidores dada a completa inexistência de confiança no atual governo por única culpa dele.
Vamos ficar nesse sofrimento de discutir a indiscutível legitimidade do processo de impedimento por quê?
Pra dar discurso para o perdedor?
O Brasil precisa avançar.
E tem feito isso obedecendo a lei, seguindo a Constituição e os ritos do Supremo Tribunal Federal.
É notável e histórico que o solavanco não tenha afetado o trâmite institucional, mesmo com o estrago econômico sem tamanho.
No mais, esse imbróglio sobre o que pensa a imprensa internacional é uma tremenda perda de tempo, mesmo com seu relativo poder na opinião pública no exterior. Tome-se o poder e a atuação soberana das instituições democráticas no país nos últimos anos e teremos a certeza que banana só na feira e que faz bem porque tem muito potássio.
Sem contar que jornalistas estrangeiros têm cometido erros crassos de narrativa e interpretação.
Proximidades ideológicas históricas com o que é a esquerda, inclusive a aberração petista, ou distanciamento da cultura e do modus operandi legal do país têm lhes feito estragos nas análises cheias de pretensões e erros por imperícia ou má fé . A reputação deles poderá sair combalida depois disso.
O tempo lhes mostrará os equívocos porque o Brasil já não é mais simples nem os brasileiros cortezes ou simplórios com estrangeiros que exageram e nos desrespeitam.
Somos uma nação complexa e autônoma, algo notadamente não percebido ante a prepotência da cobertura instantânea e pouco cuidadosa de correspondentes com pouco ou nenhum conhecimento de Brasil.
Colocadas as coisas no seu devido lugar e com o verdadeiro valor que possuem, a nós, os brasileiros, cabe reconstruir o país devastado pela incompetência de aventureiros.
É uma tarefa eminentemente nossa que não permite desvios ou atrasos.
Ao Brasil porque ele precisa dos seus.

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